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quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Pesquisa Kepeler/Sul21 aponta intenção de voto para a prefeitura de Porto Alegre

publicado originalmente no Blog Sul21, de 27/10/11.


Faltando um ano para Porto Alegre eleger seu novo prefeito, pesquisa da empresa Kepeler Consultoria publicada em parceria com o Sul21 mostra que a deputada federal Manuela D’Ávila (PCdoB) lidera quatro dos seis cenários da pesquisa. No entanto, José Fortunati (PDT) aparece melhor colocado na pesquisa espontânea. Mesmo liderando a maioria dos cenários, a deputada é acompanhada de perto pelo prefeito em todas as projeções.
A Kepeler Consultoria entrevistou 600 eleitores de Porto Alegre entre os dias 21 e 24 de outubro. A margem de erro da pesquisa é de 5 pontos percentuais, para mais ou para menos. A amostragem da pesquisa foi coletada em 73 pontos da capital gaúcha, abrangendo todas as regiões do Orçamento Participativo (OP).
Espontânea
Na pesquisa espontânea, José Fortunati (PDT) aparece com 10,8% das intenções de voto. A deputada federal Manuela D’Ávila (PCdoB) recebeu 10,7% das menções dos eleitores. Todos os outros candidatos somados totalizaram 9,9% das intenções de voto. José Fogaça (PMDB) teve 2,5% das menções. Entre os petistas, a ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário (PT) aparece com 2,2%, enquanto Olívio Dutra apresenta 2%, Tarso Genro surge com 1,7% e Raul Pont com 1,5%.
A maioria dos entrevistados (43,5%), porém, disse que ainda não sabe em quem vai votar para a prefeitura de Porto Alegre. Outros 7% responderam que votariam em branco caso as eleições fossem hoje, 4,5% disseram que anulariam o voto e 5,7% não informaram a preferência.
Veja o gráfico da pesquisa espontânea. Clique na imagem para ampliar.
Kepeler Consultoria
Pesquisa espontânea sobre a intenção de voto para a prefeitura de Porto Alegre. No item "outros" estão agrupados os candidatos que tiveram no máximo 1% das menções | Fonte: Kepeler Consultoria
Estimulada
Na pesquisa estimulada, na qual é apresentado aos entrevistados um disco com os nomes dos candidatos, a pesquisa montou seis cenários diferentes. No primeiro deles, a deputada federal Manuela D´Ávila (PCdoB) aparece com 30,2% da preferência do eleitorado de Porto Alegre, seguido pelo prefeito José Fortunati (PDT), com 28,2% dos votos.
O deputado federal Nelson Marchezan Jr (PSDB) registrou 6,5% das intenções de voto, enquanto o deputado estadual Adão Villaverde (PT) recebeu 5,7%. Também registram intenções de voto Sebastião Melo do PMDB com 3%, Paulo Borges (DEM) com 2,5%, Roberto Robaina (PSOL) com 1,7%, José Francisco Malmann (PHS) com 0,8%.
Neste cenário, disseram que votariam em branco 6,2% dos entrevistados, enquanto 9,2% dos eleitores não souberam responder. Dos consultados, 5,3% disseram que anulariam o voto e 0,8% não informaram sua preferência por algum candidato.
Veja o gráfico do primeiro cenário da pesquisa estimulada. Clique na imagem para ampliar.
Kepeler Consultoria
Cenário 01 - Pesquisa estimulada sobre a intenção de voto para a prefeitura de Porto Alegre | Fonte: Kepeler Consultoria
O segundo cenário traz Manuela D´Ávila com 29,8% das intenções de voto, seguido por José Fortunati, que aparece com 26,3% das menções dos entrevistados. Em seguida, aparecem Nelson Marchezan Jr e o deputado federal Henrique Fontana (PT), com 8% e 7,7% das intenções de voto, respectivamente. Sebastião Melo aparece neste cenário com 3,2% das menções dos entrevistados, Paulo Borges com 3%, Roberto Robaina com 1,8% e José Francisco Mallmann com 1,2%
Na simulação, os eleitores que votariam em branco totalizaram 6,3%; os que não souberam responder foram 7%; 4,7% disseram que anulariam o voto e 1% não informaram a preferência.
Veja o gráfico do segundo cenário da pesquisa estimulada. Clique na imagem para ampliar.
Kepeler Consultoria
Fonte: Kepeler Consultoria
No terceiro cenário montado pela pesquisa, Manuela D´Ávila aparece com 32,2% das intenções de voto, seguido por José Fortunati, que registra 26,7% da preferência dos entrevistados. Nelson Marchezan Jr recebeu 6,8% das menções. Já Adeli Sell teve 4,3% das intenções de voto. Neste cenário, Sebastião Melo registra 3,7% das intenções de voto, Paulo Borges fica com 3%, Roberto Robaina com 1,7%, José Francisco Malmann com 1,2%.
Nesta simulação, 6,2% dos entrevistados disseram que votariam em branco; 8,8% disseram não saber responder; não informaram a preferência 0,8% e 4,7% afirmaram que anulariam o voto.
Veja o gráfico do terceiro cenário da pesquisa estimulada. Clique na imagem para ampliar.
Kepeler Consultoria
Fonte: Kepeler Consultoria
No quarto cenário da pesquisa, o prefeito José Fortunati lidera as intenções de voto com 24,2%, seguido pela deputada Manuela D´Ávila que registra 22,7% e em terceiro lugar aparece a ministra Maria do Rosário com 20%. Nelson Marchezan Jr aparece com 5,8%, Paulo Borges com 3,8%, Sebastião Melo 3%, Roberto Robaina 1,7% e José Francisco Malmann com 1,5%.
Nesta simulação 7,3% dos eleitores consultados na pesquisa não souberam responder, 5,2% afirmaram que votarão em branco, 4% disseram que anularão o voto e 0,8% se recusaram a informar sua preferência.
Veja o gráfico do quarto cenário da pesquisa estimulada. Clique na imagem para ampliar.
Kepeler Consultoria
Fonte: Kepeler Consultoria
No quinto cenário apontado pela pesquisa, Manuela D´Ávila registra 28% das intenções de voto, enquanto José Fortunati aparece com 24,8%. Raul Pont recebeu 14,2% e Nelson Marchezan Jr com 5,8%. Neste cenário, Sebastião Melo 3,2%, Paulo Borges 2,3%, Roberto Robaina 1,8% e José Francisco Mallmann com 1,5%.
Nesta simulação, 7,3 dos entrevistas afirmaram não saber em quem vão votar, 5,7% disseram que votariam em branco, 4,7% devem anular o voto e 0,8% disseram que preferem não informar sua decisão.
Veja o gráfico do quinto cenário da pesquisa estimulada. Clique na imagem para ampliar.
Kepeler Consultoria
Fonte: Kepeler Consultoria
No sexto e último cenário foi excluída a candidatura própria do PT. A pesquisa apontou que Manuela D´Ávila com 30,3% das intenções de voto, enquanto Fortunati registra 28,7%. Em terceiro lugar aparece Nelson Marchezan Jr com 5,2%, seguido de Paulo Borges com 4,8%, Roberto Robaina com 4%, Sebastião Melo 3,8% e João Francisco Malmann com 1,8%.
No simulação, 8,3% dos entrevistados não souberam responder; 7,3% afirmaram que vão votar em branco; 5% disseram que devem anular o voto e 0.7% optaram por não informar.
Veja o gráfico do sexto cenário da pesquisa estimulada. Clique na imagem para ampliar.
Kepeler Consultoria
Fonte: Kepeler Consultoria
A pesquisa também mediu a rejeição dos pré-candidatos junto ao eleitorado de Porto Alegre, quando a pesquisa pergunta em quem os entrevistados não votariam, apresentando um novo disco com a lista de todos os candidatos.
O deputado estadual Raul Pont teve rejeição de 15,7% dos entrevistados; a ministra Maria do Rosário teve 10,8% e o deputado Nelson Marchezan Jr teve 9,2% de rejeição, mesmo índice obtido pela deputada Manuela D´Ávila. No quesito, Paulo Borges registrou 7,8%; José Fortunati 5,5%; Adeli Sell 4,5%, Roberto Robaina, 4,3% Sebastião Melo 4,3%, José Francisco Malmann 4%. A menor rejeição foi para Henrique Fontana 2,8% e Adão Vilaverde 2,8%.
Neste quesito, 10,7% dos entrevistados não souberam responder; 3% afirmaram não ter rejeição por nenhum dos candidatos e 0,7% não informaram.
Veja o gráfico do quesito rejeição. Clique na imagem para ampliar.
Kepeler Consultoria
Fonte: Kepeler Consultoria
Nota metodológica
Pesquisa de opinião pública sobre assuntos políticos.
Público alvo: eleitores registrados no município de Porto Alegre.
Total de eleitores de Porto Alegre: 1.058.044 eleitores (TRE-RS).
Período de realização: 21 a 24 de outubro de 2011.
Técnica amostral: quantitativa probabilística por cotas de sexo, idade e escolaridade, conforme o perfil fornecido pelo Tribunal Superior Eleitoral, cumprindo-se, assim, nesta pesquisa todas as exigências do TSE.
Tamanho da amostra: 600 entrevistas.
Área de realização da coleta de dados: centro da cidade e mais 73 regiões do Orçamento Participativo do município.
Técnica de coleta de dados: entrevistas individuais e pessoais, com aplicação de questionário estruturado contendo perguntas fechadas, semi-abertas e abertas, realizadas em pontos de fluxos de pessoas por pesquisadores treinados.
Supervisão de campo: in loco de 100% das entrevistas por técnicos experientes e rechecagem de no mínino 12% das entrevistas por conferência telefônica.
Margem de erro esperada de cinco pontos percentuais para mais ou para menos e grau de confiança de 95%. Isto significa que se forem realizadas 100 pesquisas segundo a mesma metodologia utilizada nesta pesquisa ao menos 95 delas apresentarão resultados semelhantes

PSD, Ficha Limpa, PT x PMDB e crise global embaralham cena 2012

extraído do Jornal Correio do Brasil.

Potenciais candidatos a prefeito no ano que vem não podem mais trocar de partido, mas uma série de fatores dificulta traçar cenários sobre eleição. Criação do PSD deve enfraquecer oposição a Dilma, mas campo governista estará ‘minado’ por disputa de espaço entre PT e PMDB. Decisão do STF sobre Ficha Limpa pode afetar candidaturas e crise global, também.

eleições municipais
O PSD é um partido que já nasceu com um grande número de representações políticas e poderá influenciar nas eleições municipais do próximo ano

A um ano das eleições municipais, a filiação partidária de potenciais candidatos já está definida – quem quiser concorrer não pode mais trocar -, mas o cenário em que se dará o pleito é imprevisível. A indefinição sobre a aplicação da Lei da Ficha Limpa, a tensão entre PT e PMDB, os dois principais partidos governistas, a rearticulação da direita no recém criado Partido Socialista Democrático (PSD) e a evolução da crise econômica mundial dificultam as análises.
Para especialistas, a entrada em cena do PSD é vista como o elemento que mais vai embaralhar as disputas. “É um partido que já nasceu com um grande número de representações políticas e, por isso, poderá influenciar muito o processo”, diz o cientista político João Paulo Peixoto, da Universidade de Brasília (UnB).
Capitaneado e presidido pelo prefeito paulistano, Gilberto Kassab, a nova legenda já nasceu como uma das maiores do país. Com cerca de 50 parlamentares, é a quarta maior bancada no Congresso, atrás apenas de PT, PMDB e PSDB.
Inventado com o objetivo de abrigar rivais de direita do ex-presidente Lula que se convenceram de que, com Dilma Rousseff, é melhor fugir do confronto com o governo, o PSD deve enfraquecer o campo oposicionista um pouco mais em 2012.
- Por mais que não queiram dar nome à ideologia adotada, é um partido de centro-direita que, ao contrário do PSDB e do DEM, não sofre com o estigma de oposição negativa- , diz o professor Fabiano Guilherme Santos, do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade Estadual do Rio de janeiro (UERJ).
Do lado governista, as eleições também se mostram desafiadoras. O motivo é a disputa entre PT e PMDB, que dividem o Palácio do Planalto, com Dilma Rousseff (PT) e o vice, Michel Temer (PMDB), mas, fora dali, vão lutar para ver quem tira mais proveito da máquina federal para eleger correligionários.
Sigla com mais prefeitos (20% do total), o PMDB sai em vantagem, já que candidatos à reeleição são sempre favoritos naturais. Já o PT, que cresceu historicamente a partir de cidades maiores, agora terá de bater de frente com o grande aliado e tomar dele o controle de prefeituras menores, caso queira manter-se em expansão.
Por isso, o pleito pode até ser encarado como o teste definitivo para o casamento dos dois partidos e para uma renovação da dobradinha em 2014, na sucessão presidencial. “A manutenção ou não da aliança vai depender da capacidade de articulação das lideranças. Há tensão entre o PMDB e o PT porque há limites para se equilibrar a relação entre eles”, afirma Guilherme Santos, que também preside a Academia Brasileira de Ciência Política.
À espera de um julgamento final sobre sua consitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal (STF), a Lei da Ficha Limpa, que proíbe candidatura de político com alguma condenação judicial, não importa em qual corte, é outro fator que dificulta juízos definitivos sobre 2012. “Essa decisão poderá alterar diretamente a listagem de candidatos”, diz Peixoto.
A lei foi aplicada na eleição do ano passado, mas até hoje há candidato impugnado tentando reverter a decisão. E quanto mais o STF demora para dar uma sentença, pior – menos tempo para que todas as dúvidas relacionadas à lei sejam esclarecidas à população e aos próprios candidatos. “Isso acaba criando uma insegurança jurídica que prejudica o processo eleitoral”, critica Guilherme Santos.
Os dois cientistas discordam, porém, sobre o poder de a crise econômica global influenciar as disputas municipais de 2012. Para Peixoto, a capacidade de o governo reagir à crise com medidas que protejam o país pode ajudar ou prejudicar candidatos dilmistas. Já Guilherme Santos acredita que este tipo de crise interfere em eleições nacionais, não nas municipais locais, mais pautadas por temas paroquiais.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Intensifica-se o debate no Partido dos Trabalhadores


O debate interno no PT, sobre as eleições de 2012, intensifica-se. As tendências internas começam a definir suas estratégias para o pleito. As correnets políticas que defendem a CANDIDATURA PRÓPRIA  - DS, MPT, AE, PT AMPLO, ED - estão organizando ações e atividades para consolidarem esta posição.
Para tanto,  lançaram um adesivo( reproduzido abaixo) onde reafirmam o COMPROMISSO COM PORTO ALEGRE e a disposição de votar 13.






segunda-feira, 15 de agosto de 2011

PT tem mais um pré-candidato a eleição de 2012



Na noite desta segunda-feira, 15/08, a Executiva do PT de Porto Alegre reuniu-se com o Dep. Est. e Presidente Estadual do PT, Raul Pont. A reunião faz parte de um calendário de reuniões que a instância municipal começou a realizar com os ex-prefeitos petistas da capital. Na sexta-feira foi ouvido o ex-prefeito e ex-governador, Olívio Dutra.
As reuniões têm servido para um debate sobre as conjunturas municipal, estadual, nacional e pré-eleitoral.  Principalmente, foi abordado o estado de abandono da capital, a regressão na participação popular e a péssima qualidade na prestação dos serviços públicos.
Foi também reafirmado a importância do processo eleitoral de 2012, para a consolidação dos Governos Tarso e Dilma e a necessidade de manter um diálogo com os partidos que compõem a base aliada dos governos. Nesse sentido, foi reafirmado que o PT fará os esforços necessários para a manutenção do bloco de esquerda, embora não abrirá mão de um protagonismo no processo eleitoral, por sua representatividade política na capital e no estado.  Foi destacado, também, que se não for possível construir uma aliança dentro do campo o partido trabalhará para construir plataformas comuns e, até, um pacto de adesão para o segundo turno.
Igualmente, foi abordada a possibilidade de o companheiro disponibilizar seu nome á disputa eleitoral de2012. Raul afirmou que entende que o ideal será o PT apresentar uma candidatura para liderar o bloco de esquerda e colocou seu nome à disposição do PT para participar do processo eleitoral, respeitando, evidentemente a manifestação do companheiro Adeli Sell, o qual também já apresentou seu nome para a disputa eleitoral.
Assim, o PT passa a contar com dois pré-candidatos às eleições de 2012, dando mais um passo na construção de sua tática e sua estratégia.

domingo, 7 de agosto de 2011

O PT em Porto Alegre em 2012


publicado no blog RSURGENTE, em 06/08/11.

Por Jeferson Miola (*)


1. Porto Alegre é a cidade que propiciou ao PT realizar a mais rica, a mais original e a mais exuberante experiência de construção política nos anos iniciais de sua afirmação como projeto político de esquerda. A capital gaúcha foi governada pelo PT com seus aliados consecutivamente de 1989 a 2004. Durante aquela etapa inicial de afirmação do PT e do amadurecimento da sua presença na vida institucional do Brasil, Porto Alegre foi uma fonte de irradiação das principais experiências administrativas, gerenciais e políticas do Partido.
O êxito das gestões petistas explica a transcendência do PT para a cidade, habilitando-o a governar Porto Alegre em quatro dos sete mandatos desde a retomada das eleições diretas nas capitais e nas áreas de segurança nacional [1985]. Não por acaso, dois dos quatro prefeitos do PT posteriormente se tornaram governadores do Rio Grande do Sul.
2. O PT e Porto Alegre se constituíram numa referência para a esquerda nacional e internacional, um espaço de concretização de políticas emancipadoras e um território de vivência democrática radical e inovadora. Naqueles tempos neoliberais em que se proclamava a inevitabilidade da globalização excludente, a inexistência de alternativas ao neoliberalismo e o fim da história, o PT processou em Porto Alegre referências estratégicas de grande alcance.
3. A pertinência e a legitimidade conquistadas pelo PT lhe conferiram um papel central em Porto Alegre. Mesmo quando não venceu as eleições, o PT polarizou o debate acerca do futuro da cidade em acirradas disputas de segundo turno, conquistando praticamente metade dos votos. Nas eleições de 2012, portanto, mesmo se eventualmente quisesse, seria problemático para o PT se abster de apresentar um programa de governo e um projeto de futuro para Porto Alegre. A eventual decisão de não apresentar-se com candidatura própria não seria bem compreendida e assimilada socialmente. Pela razão de que o PT, mais que qualquer outro Partido, é parte ativa na construção das principais soluções e projetos experimentados na cidade em mais de duas décadas.
Com o PT, Porto Alegre se cosmopolitizou, se preparou para a execução dos importantes projetos desenvolvidos atualmente com apoio federal e assumiu um papel cultural marcante no debate público local e mundial a partir das importantes produções simbólicas e concretas produzidas. O PT, assim, se tornou parte do imaginário do povo porto-alegrense; uma identificação inegável com a história de Porto Alegre, cuja solidez de vínculo resistiu às mais violentas tentativas de destruição macarthista engendradas contra si.
4. Uma eventual ausência de candidatura própria do PT somente seria compreensível no caso de viabilidade de aliança eleitoral unitária entre o PT, PDT e o PCdoB [e demais aliados] em primeiro turno, hipótese que se demonstra inviabilizada. No contexto dos governos presididos pelo PT no RS e no Brasil com Tarso e Dilma, seria desejável concretizar em Porto Alegre uma coalizão do PT com Fortunati e Manuela, cujos partidos integram nossos governos e, mais importante, pertencem a estruturas partidárias fundamentais na constituição de um bloco histórico democrático e popular que se reivindica do socialismo. A realidade política, contudo, indica a inviabilidade deste desejo no primeiro turno das eleições do próximo ano.
O atual prefeito, além de legitimidade, tem a prerrogativa de disputar a reeleição para seguir governando a cidade. A deputada Manuela é detentora de um quinhão eleitoral que lhe credencia a pleitear o cargo em condições competitivas. E o PT, com a experiência e o legado de 16 anos governando a cidade, é não só legítimo como responsável em contribuir no debate eleitoral.
5. A participação do PT nas próximas eleições não será um mar de facilidades. Para compensar as dificuldades que advirão, se deveria buscar construir uma aliança que confira tempo de TV, competitividade eleitoral e expressão social e eleitoral. O maniqueísmo anti-PT tampouco tirou férias, e será uma arma poderosa para impregnar de preconceito, de estigma e de acusação hegemonista contra o PT nas próximas eleições. Contra o preconceito e a intolerância, o melhor remédio são a claridade de idéias, a modéstia, a humildade e a desmistificação política.
Mesmo assim, num ambiente difícil e adverso – como, aliás, o PT sempre foi temperado -, existe a possibilidade de vencermos as eleições. E a ambição do PT deve ser a de conquistar Porto Alegre para governá-la novamente. Esta é, inclusive, uma possibilidade plausível e muito realista, que dependerá da qualidade da trajetória eleitoral a ser construída, como aprendemos no processo recente de preparação da vitória do Tarso ao governo estadual.
6. O PT tem militância, estrutura, tradição, programa, política e candidatos/as potentes para participar das próximas eleições com expectativas positivas de vitória. Alguns aspectos são fundamentais para tanto, e o primeiro deles deve ser a escolha da melhor candidatura. Uma candidatura que seja a expressão da mais ampla unidade partidária e também da mais fecunda identidade com o povo de Porto Alegre. Um/a candidato/a que conecte a população com a memória das Administrações Populares como referências que positivamente superaremos porque, diferentemente das gestões anteriores quando no Estado e na União estavam os governos neoliberais que se opunham ferrenhamente ao nosso projeto, num eventual futuro governo usufruiremos das condições promissoras de um novo Brasil com Dilma e de um novo Rio Grande com Tarso.
Necessitamos de um/a candidato/a que recupere a narrativa do que foi a invenção do Orçamento Participativo, do PoA em Cena, do Fórum Social Mundial, das grandes obras, dos direitos sociais, dos sistemas e serviços públicos qualificados, do planejamento para o futuro e da visão de largo prazo que prepararam a cidade para receber os investimentos para a Copa do Mundo. Uma candidatura, enfim, que consiga demonstrar aos olhares da gente do presente que, se fizemos o que fizemos diante de governos neoliberais contrários ao nosso projeto, muito mais e melhor poderemos fazer nesta etapa virtuosa do Brasil e do Rio Grande.
7. A eleição em uma cidade não é somente a projeção de grandes temas ou de variantes estratégicas de futuro, por mais relevantes que possam ser. A eleição numa cidade é o momento no qual se deve demonstrar um profundo conhecimento acerca do seu dinamismo, do seu território, das necessidades do seu povo, do cotidiano, da vida das pessoas humildes, das demandas acumuladas, das tarefas imediatas e também da conexão do cotidiano com um ideal estratégico e de futuro.
Nossa candidatura deve ser a expressão desta espécie de relação intimista e de intimidade com Porto Alegre. Uma candidatura que exprima o conhecimento profundo da cidade, das necessidades da sua gente e das tarefas que poderemos assumir para melhorar a vida das pessoas. Um/a candidato/a, enfim, que palmilhe cada rua, cada beco, cada bairro, cada edifício, cada casebre como se vivesse uma vida aldeã, numa dimensão comunitária plena, de reconhecimento recíproco com seus integrantes e com laços de profunda empatia.
Os processos eleitorais em Porto Alegre ensinaram que a cidade também se manifesta e opina em relação aos temas amplos da política. A cidade que clamava pelo “fora Collor” nas eleições de 1992 foi a mesma que tempos depois nos rechaçou porque reprovava as posturas equivocadas de alguns petistas. Por isso nosso/a candidato/a deve ser, também, alguém cuja biografia seja socialmente identificada com os valores e princípios da ética na política que sempre balizaram a conduta do PT.
8. Vencer em Porto Alegre não é uma obsessão; é uma possibilidade política realista. É um objetivo político legítimo, decorrente da conjuntura eleitoral que nos obriga a estar lado a lado com nosso povo oferecendo uma visão presente e de futuro para a cidade. E vencer em Porto Alegre seria uma conquista de importância para o PT e para a dinâmica política da esquerda gaúcha e brasileira.
Assim como seria importante vencer em Porto Alegre, igualmente importante será o esforço por preservar e soldar uma aliança duradoura do campo democrático e popular em caso de vitória.
Por isso é importante que nossa candidatura seja portadora desta grandeza exigida, que possua estatura e experiência política necessária à interlocução permanente com nossos aliados ocasionalmente postos em lados distintos. Alguém que tenha reconhecida autoridade política para promover, depois das eleições e, num eventual governo conquistado, a aproximação e a convivência com as forças partidárias do nosso campo político-ideológico de transformação social.
9. O PT tem candidatos temperados para o exercício desta importante tarefa partidária em consonância com estas exigências. Os ex-prefeitos Olívio Dutra e Raul Pont são, inegavelmente, expressões desta possibilidade. Assim como a companheira Maria do Rosário, que acumulou identidades com a cidade e com o povo porto-alegrense nos representando na eleição de 2008. Cabe ao PT desenvolver um esforço para sensibilizar e comover um desses três valorosos companheiros a experimentar o desafio da conquista de Porto Alegre em 2012.
(*) Coordenador da Secretaria do Mercosul, foi coordenador executivo do Fórum Social Mundial, em Porto Alegre. Artigo publicado originalmente no blog Biruta do Sul.

domingo, 31 de julho de 2011

DOBRAR OU SER DOBRADO?



por Zé Reis*

A matéria “Como Tarso pretende dobrar o PT”, publicada em Zero Hora, nesse domingo (31/07), informa que o Gov. Tarso Genro usará seu prestígio de quem ganhou a eleição de 2010 no primeiro turno, para defender que o PT, em Porto Alegre, não só abra mão de ter candidatura própria ao pleito municipal de 2012, mas, apoie a Dep. Federal Manuela em sua intenção de chegar ao Paço Municipal.
Muito embora, a reportagem não traga nenhuma declaração expressa do Gov. Tarso Genro, ela traz à tona aquilo que se houve intramuros no PT. Isto é, a opinião do companheiro Tarso em favor do apoio á Manuela. Mais, ainda cita os recados da Presidenta Dilma e do Presidente Lula no mesmo tom.
É inegável que são opiniões importantes em qualquer decisão sobre a tática e a estratégia eleitoral do PT em 2012. Mas, a própria matéria alerta para o fato de haver um caminho de convencimento e debate a ser percorrido.  Também é destacado que a tendência Democracia Socialista, acena com a possível indicação do Dep. Est. Raul Pont, como candidato, e registra que o Ver. Adeli Sell, presidente do PT de Porto Alegre, já registrou sua pré-candidatura.
 Talvez tenha faltado a matéria mais informações de como estão se posicionando outras tendências internas do PT e ouvir os membros da Direção Executiva Municipal. Dos 16 integrantes da Executiva Municipal, ao menos 10 já manifestaram o entendimento em favor da Candidatura própria. Também poderia ser revelado que além da DS as tendências Articulação de Esquerda e Movimento PT já se posicionaram em favor do PT apresentar candidato ou candidata em 2012.
Assim, se é verdade, que existe uma posição do companheiro governador, não é menos verdade, que tal posição não é majoritária. Ao contrário, tudo indica que é minoritária nas instâncias e entre os militantes do município de Porto Alegre.  Aliás, não seria a primeira vez que a base petista optaria por uma solução diferente da pretendida pelo seu governador, prefeito ou presidente.
Lembremo-nos de alguns desses episódios.
Em 2000, o então ex-prefeito Tarso Genro, disputou e ganhou as prévias do então prefeito Raul Pont e do vice-prefeito Fortunati, para ver quem seria o candidato a prefeito.
Em 2002, o então prefeito Tarso Genro, disputou e ganhou as prévias para concorrer a Governador, disputando contra o Governador Olívio Dutra.
Em 2009, após um processo debates internos e um encontro extraordinário, o companheiro Tarso Genro foi escolhido candidato a governador às eleições de 2010, mesmo que a opinião do Presidente Lula fosse por uma aliança com o PMDB, para fortalecer a aliança da então candidata Dilma.
Esses episódios são emblemáticos na história recente do PT e demonstram a capacidade de sua base militante em construir caminhos próprios e independentes. E antes que alguém menos avisado tenha esquecido, em dois destes episódios, os caminhos apontados foram vitoriosos.
Ora, pensar a eleição de 2012, como momento de sustentação e confirmação dos acertos da eleição de 2010 e do governo do estado é importante, sem dúvida. Mas, não menos importante é pensar no capital político e no futuro do PT como um todo. E aí, não temos dúvida de que abrir mão de uma candidatura própria poderá ser muito custoso ao PT em Porto Alegre.  O ato do PT abrir mão de uma candidatura própria poderá ser visto como um gesto de grandeza e de não hegemonia. Mas, também, significará deixar de lado as melhores condições vividas para conquistar o governo municipal desde a derrota de 2004.
Certamente, o PT não poderá abrir mão de seu papel de principal partido de esquerda e para bem representá-lo apresentar uma alternativa de candidatura própria. Essa definição deverá ser feita de forma segura e cautelosa, evitando turbulências junto aos aliados dos governos estadual e federal, principalmente, no 1ºturno, onde poderão concorrer mais de uma candidatura da base governista. 
Quanto à questão de nomes para a disputa é inconcebível aceitar-se a ideia que vem sendo plantada de que o PT não tem nomes viáveis. Um partido com lideranças como Olívio Dutra, Raul Pont, Maria do Rosário, Adão Villaverde, Henrique Fontana, Adeli Sell e Sofia Cavedon não está carente de opções. Ao contrário.
Dessa forma, espero que daqui alguns dias, publique-se uma matéria onde o título seja: “Como o PT convenceu Tarso” ou “Como o PT e Tarso encontraram uma solução própria”.
  • Secretário Geral do PT de Porto Alegre

domingo, 17 de julho de 2011

CARTA A PORTO ALEGRE


 
Porto Alegre enche de orgulho quem aqui nasceu, ou a escolheu para morar, e encanta os visitantes. Sua beleza natural, o charme de suas ruas e esquinas tradicionais, a alegria e a inteligência de sua gente compõem as cores de uma cidade multifacetada pela diversidade. A capital dos gaúchos teve um quê de vanguarda, protagonizou momentos importantes da história brasileira com muitas contribuições à democracia e à cidadania deste país. A edição do Fórum Social Mundial, em Porto alegre, é um exemplo emblemático da importância da nossa gestão na cidade para o mundo. Infelizmente, seus avanços foram paralisados pela inércia das últimas gestões.

Com a participação da população e da Frente Popular, o PT de Porto Alegre teve a honra de ajudar a escrever algumas páginas da trajetória de nossa querida cidade. O PT acumulou, nos 16 anos em que esteve à frente do Paço Municipal, ricas e variadas experiências de gestão e planejamento participativo, além de apostar no controle social sobre o Estado. Num processo de co-gestão da cidade através do Orçamento Participativo, conselhos, movimentos sociais e quatro congressos da cidade foram construídos resultados importantes na melhoria da qualidade de vida e cidadania.

Tivemos a ousadia de inverter prioridades e de formular políticas públicas capazes de enfrentar grandes temas, como a necessidade de reforma urbana à sustentabilidade ambiental, do crescimento econômico às soluções em mobilidade. Tudo isto com a firme decisão de enfrentar o passivo social existente, combatendo de forma corajosa as desigualdades, promovendo a justiça fiscal, o saneamento ambiental, a infraestrutura, a saúde, a educação e a cultura. Fizemos nossas gestões perseguindo o sentido de que só vale a pena governar se for para transformar.

Neste momento, estamos trabalhando para fazer dar certo nossos governos Dilma e Tarso, além de acompanhar e construir as pautas dos movimentos sociais e organizações da sociedade civil que justamente perseguem uma vida digna e plena de direitos. No entanto, o debate eleitoral de 2012 tem sido antecipado. Na imprensa, existem cogitações sobre a posição do PT no próximo ano, quase sempre sem ouvir o ator principal das especulações: o próprio PT, querendo decidir por nós. Por isso, reiteramos que não abriremos mão do nosso protagonismo nas eleições 2012. Através desta carta à cidade, afirmamos que nossa preocupação inicial é com a cidade, sua perspectiva de futuro, com a falta de desenvolvimento da nossa capital e com os problemas que só se agravam.

O governo municipal, desde abril do ano passado dirigido por Fortunati, não só manteve a mesma composição dos partidos de centro e direita e personalidades conservadoras do período Fogaça, como optou pela continuidade de toda a herança das crises na saúde, burocratização e clientelismo do OP, sucateamento da máquina pública e descaso com os servidores públicos, serviços prestados e abandono da cidade.

Queremos retomar na cidade um ambiente com desenvolvimento econômico e social ambientalmente sustentável e de democracia participativa e popular. Conceitos esses, que estiveram expressos e foram vitoriosos em lutas recentes ocorridas na cidade, que combinaram a luta por direito à moradia digna com a preservação da natureza.

O PT e as organizações sindicais, comunitárias, populares e ambientalistas devem trabalhar na constituição de um forte movimento em busca de uma reforma urbana adequada às características de nossa cidade, especialmente prevendo a adequação do Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano e Ambiental (PDDUA) ao Estatuto da Cidade, e a regularização fundiária, com as demandas dos setores médios pela qualidade ambiental e cultural. Com esta aliança entre o movimento popular e os setores médios é que poderemos recolocar Porto Alegre no patamar de referência internacional de políticas públicas.

A vitória do PT em Porto Alegre passa por um amplo debate com a militância partidária e com a população na construção de um programa de governo democrático e popular, buscando a constituição de uma política de alianças no campo popular e com os movimentos sociais. Este é um convite às organizações sociais para tratar de alternativas ao desenvolvimento da cidade, que privilegiem as dimensões social e ambiental, além de encontrar caminhos para enfrentar o colapso da mobilidade (vias estruturais e transporte coletivo), recuperar a qualidade dos serviços públicos e das políticas de saúde, educação, segurança, cultura e infraestrutura urbana.

Portanto, a representação política e social do PT leva a afirmação legítima do seu protagonismo nas eleições 2012. A democracia que queremos não se encerra nas eleições, mas vai além, com processos de participação popular, oportunizando o encontro de opiniões, ideias, sonhos de uma vida melhor. E é por aí que começamos o debate com a sociedade. Vamos a ele!

Partido dos Trabalhadores de Porto Alegre – Julho de 2011



quarta-feira, 13 de julho de 2011

PT lança carta a Porto Alegre e reafirma protagonismo partidário e militante na cidade

Foto: Tatiana Feldens - Asscom PT-POA
Na foto: os petistas Adão Villaverde, Olívio Dutra, Raul Pont, Adeli Sell e Sofia Cavedon













O auditório do PT de Porto Alegre ficou lotado nesta quarta-feira (13) para o lançamento da carta destinada a todos os porto-alegrenses. O documento tem como objetivo abrir o debate sobre as eleições municipais de Porto Alegre com as bases do PT e a sociedade.

Estiveram presentes os dirigentes municipais do PT, representados pelo seu presidente, vereador Adeli Sell, e seu vice, Rodrigo Oliveira, os ex-prefeitos de Porto Alegre Olívio Dutra, Raul Pont e João Verle, os presidentes da Assembleia Legislativa e da Câmara Municipal de Porto Alegre, Adão Villaverde e Sofia Cavedon, respectivamente, além de vereadores e demais autoridades.

Na carta, o PT defende as conquistas obtidas pelo partido durante os 16 anos em que esteve à frente da prefeitura da Capital. Ressalta que a vitória do PT em Porto Alegre passa por um amplo debate com a militância partidária e com a população na construção de um programa de governo democrático e popular, buscando a constituição de uma política de alianças no campo popular e com os movimentos sociais.

“Queremos retomar na cidade um ambiente com desenvolvimento econômico e social ambientalmente sustentável e de democracia participativa e popular. Conceitos esses, que estiveram expressos e foram vitoriosos em lutas recentes ocorridas na cidade, que combinaram a luta por direito à moradia digna com a preservação da natureza”, diz o texto.

O documento também critica a presença de personalidades conservadoras no governo de José Fortunati, herdadas do período José Fogaça. A crise na saúde, o sucateamento da máquina pública e o abandono da cidade são alguns aspectos criticados na atual administração.

Os vereadores Mauro Pinheiro e Maria Celeste também compareceram ao lançamento, assim como os demais integrantes da Executiva Municipal: José Reis, Secretário Geral, Ubiratan de Souza, Secretário de Organização, Michele Sandri, Secretária de Comunicação, Gladimiro Machado, Secretário de Finanças, Danilo Toigo Caçapava, Secretário de Movimentos Sociais, José Conceição, Secretário de Formação Política, Rose Hoffman, Secretária de Assuntos Institucionais, além dos membros da Executiva, Reginete Bispo, Isabel Torres, Leila Matos e Alberto Terres. O ex-prefeito, governador Tarso Genro, não compareceu devido a agenda de governo.

Veja carta na íntegra

CARTA A PORTO ALEGRE

Porto Alegre enche de orgulho quem aqui nasceu, ou a escolheu para morar, e encanta os visitantes. Sua beleza natural, o charme de suas ruas e esquinas tradicionais, a alegria e a inteligência de sua gente compõem as cores de uma cidade multifacetada pela diversidade. A capital dos gaúchos teve um quê de vanguarda, protagonizou momentos importantes da história brasileira com muitas contribuições à democracia e à cidadania deste país. A edição do Fórum Social Mundial, em Porto alegre, é um exemplo emblemático da importância da nossa gestão na cidade para o mundo. Infelizmente, seus avanços foram paralisados pela inércia das últimas gestões.

Com a participação da população e da Frente Popular, o PT de Porto Alegre teve a honra de ajudar a escrever algumas páginas da trajetória de nossa querida cidade. O PT acumulou, nos 16 anos em que esteve à frente do Paço Municipal, ricas e variadas experiências de gestão e planejamento participativo, além de apostar no controle social sobre o Estado. Num processo de co-gestão da cidade através do Orçamento Participativo, conselhos, movimentos sociais e quatro congressos da cidade foram construídos resultados importantes na melhoria da qualidade de vida e cidadania.

Tivemos a ousadia de inverter prioridades e de formular políticas públicas capazes de enfrentar grandes temas, como a necessidade de reforma urbana à sustentabilidade ambiental, do crescimento econômico às soluções em mobilidade. Tudo isto com a firme decisão de enfrentar o passivo social existente, combatendo de forma corajosa as desigualdades, promovendo a justiça fiscal, o saneamento ambiental, a infraestrutura, a saúde, a educação e a cultura. Fizemos nossas gestões perseguindo o sentido de que só vale a pena governar se for para transformar.

Neste momento, estamos trabalhando para fazer dar certo nossos governos Dilma e Tarso, além de acompanhar e construir as pautas dos movimentos sociais e organizações da sociedade civil que justamente perseguem uma vida digna e plena de direitos. No entanto, o debate eleitoral de 2012 tem sido antecipado. Na imprensa, existem cogitações sobre a posição do PT no próximo ano, quase sempre sem ouvir o ator principal das especulações: o próprio PT, querendo decidir por nós. Por isso, reiteramos que não abriremos mão do nosso protagonismo nas eleições 2012. Através desta carta à cidade, afirmamos que nossa preocupação inicial é com a cidade, sua perspectiva de futuro, com a falta de desenvolvimento da nossa capital e com os problemas que só se agravam.

O governo municipal, desde abril do ano passado dirigido por Fortunati, não só manteve a mesma composição dos partidos de centro e direita e personalidades conservadoras do período Fogaça, como optou pela continuidade de toda a herança das crises na saúde, burocratização e clientelismo do OP, sucateamento da máquina pública e descaso com os servidores públicos, serviços prestados e abandono da cidade.

Queremos retomar na cidade um ambiente com desenvolvimento econômico e social ambientalmente sustentável e de democracia participativa e popular. Conceitos esses, que estiveram expressos e foram vitoriosos em lutas recentes ocorridas na cidade, que combinaram a luta por direito à moradia digna com a preservação da natureza.

O PT e as organizações sindicais, comunitárias, populares e ambientalistas devem trabalhar na constituição de um forte movimento em busca de uma reforma urbana adequada às características de nossa cidade, especialmente prevendo a adequação do Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano e Ambiental (PDDUA) ao Estatuto da Cidade, e a regularização fundiária, com as demandas dos setores médios pela qualidade ambiental e cultural. Com esta aliança entre o movimento popular e os setores médios é que poderemos recolocar Porto Alegre no patamar de referência internacional de políticas públicas.

A vitória do PT em Porto Alegre passa por um amplo debate com a militância partidária e com a população na construção de um programa de governo democrático e popular, buscando a constituição de uma política de alianças no campo popular e com os movimentos sociais. Este é um convite às organizações sociais para tratar de alternativas ao desenvolvimento da cidade, que privilegiem as dimensões social e ambiental, além de encontrar caminhos para enfrentar o colapso da mobilidade (vias estruturais e transporte coletivo), recuperar a qualidade dos serviços públicos e das políticas de saúde, educação, segurança, cultura e infraestrutura urbana.

Portanto, a representação política e social do PT leva a afirmação legítima do seu protagonismo nas eleições 2012. A democracia que queremos não se encerra nas eleições, mas vai além, com processos de participação popular, oportunizando o encontro de opiniões, ideias, sonhos de uma vida melhor. E é por aí que começamos o debate com a sociedade. Vamos a ele!

Partido dos Trabalhadores de Porto Alegre – Julho de 2011

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Com que roupa eu vou?, por Zé Reis* e Paulo Wayne**



                                                                          

Distante, ainda, 18 meses das eleições de 2012 e com apenas um candidato declarado, as cartas começam a ser jogadas.
Embora já com sua candidatura definida, o atual prefeito José Fortunati, todavia, não tem resolvida sua política de alianças e, tampouco, esboçada publicamente.
Após, ter herdado o comando do Poder Executivo da Capital, com a renúncia do então prefeito Fogaça, em 2010, alguns analistas políticos e algumas lideranças de esquerda, esperavam que no início deste ano de 2011, com a assunção do novo governador do estado com o apoio do PDT, o atual prefeito faria uma mudança de perfil do seu governo e poderia até mesmo aproximar-se do Partido dos Trabalhadores, não foi o que aconteceu. Ao contrário, com algumas trocas pontuais de secretários o governo municipal manteve a aliança com os principais partidos que já davam sustentação a administração da capital e conservou inalterada a política do governo municipal.
Mesmo que alguns setores importantes do PT, minoritários ainda, esbocem uma simpatia por apoiar o candidato do PDT, essa possibilidade dialoga pouco com a vida, pois representaria um rompimento do Prefeito com boa parte de sua base aliada na Câmara de Vereadores, tornando difícil a governabilidade logo no momento em que mais precisará de apoio político.
 Uma aliança PDT-PT, implicaria na imediata mudança da base aliada do atual governo municipal e não garantia maioria no plenário, pois teria apenas 12 vereadores. Logo, só se viabilizaria com a adesão de mais dois ou três partidos.  Assim, o risco dessa operação é muito alto, exigindo do prefeito, que hoje tem uma base sólida, o risco de desagregar a base de apoio sem a garantia de uma composição ampla para o próximo período.
  Portanto, tudo indica que o leque de forças que apoia o atual governo deverá se repetir, com poucas defecções, tendo como centro o PDT e o PMDB. Se tal hipótese se materializar teremos um bloco constituído por um partido da base do governo Tarso, os trabalhistas, com um dos seus principais adversários na Assembleia Legislativa, os peemedebistas. Restando saber qual será o papel dos demais partidos da base governista municipal: o PTB, o DEM, o PP, o PPS e o PSDB.
O PTB parece estar disposto a compor com um dos possíveis blocos. O PP tem a opção de apresentar a recém-eleita senadora, Ana Amélia Lemos, ou preservá-la para a eleição estadual de 2014. O DEM ensaia lançar o Dep. Estadual Paulo Borges, mas, provavelmente, dependerá das possibilidades de alianças. O PSDB poderá valer-se de um nome da família Crusius (Yeda ou Tarsila) ou de Nelson Marchezan Júnior para buscar fortalecer o partido e arregimentar forças para a próxima disputa estadual.
Desde a última eleição municipal PCdoB-PSB formaram um bloco político que tende a se repetir em 2012 e deve ter como candidata, mais uma vez, a Dep. Fed. Manuela D’avila. Essa aliança exerce uma forte pressão no PT, inclusive por dentro do governo estadual, para que sua candidatura seja a que represente as forças políticas que dão apoio e sustentação aos Governos Tarso e Dilma. Lastreada na expressiva votação obtida na eleição de 2010, a deputada procura se colocar como a principal opção do bloco, entretanto sempre fica a desconfiança de que poderá não ter fôlego para a disputa. Lembremo-nos que, em 2008, foi uma candidata com forte mídia e uma boa largada, mas esmaeceu na reta de chegada, principalmente, pela composição com o PPS e pela força da militância do PT, que lhe fez forte oposição. Sem a atração do PT para o bloco a tendência da candidatura de Manuela deve ser a mesma da eleição municipal passada. Largar bem e perder fôlego na chegada, até por que já não será mais uma novidade.
O Partido dos Trabalhadores ainda não definiu se aposta em uma candidatura própria ou apoia algum dos aliados. As manifestações das instâncias diretivas, mesmo que não públicas ainda, revelam cautela. Mas, grosso modo, podemos dizer que na esfera da direção municipal existe uma maioria inclinada por uma alternativa de candidatura própria. No âmbito estadual a cautela é maior ainda, não existindo uma maioria inclinada por uma ou outra opção, apenas, a certeza de que o caminho escolhido deve ser trilhado com todas as precauções possíveis para que tenha o menor impacto na base aliada dos governos estadual e federal.
Seja qual for a opção é certo que haverá decisões importantes a tomar.
Se optar por apoiar a candidatura de um dos aliados, PDT ou o bloco PCdoB-PSB, certamente terá que aparar arestas com o não escolhido, que no mínimo colocar-se-á em uma postura política neutra em relação ao governo estadual, estando, portanto, suscetível a pontualmente votar com a oposição. O risco aumenta se a escolha recair no bloco PCdoB-PSB, pois significará virar as costas ao PDT, que tem uma bancada maior na Assembleia Legislativa.
Escolher o PDT, se esse não romper o atual bloco de situação em Porto Alegre, com os riscos já abordados anteriormente, será aliar-se a seus algozes na eleição de 2004 e 2008. Além disso, os embates entre as bancadas do PT e PDT na Câmara de Porto Alegre tem sido frequente, principalmente, em relação a CPI da Juventude.
Igualmente, não se pode esquecer que há muito tempo a maioria dos dirigentes pedetistas, principalmente os da capital, optou por não aliar-se ao PT. Sendo exceção a atual participação no governo estadual, que se dá muito mais por uma intensa mobilização e opção do PT. Recordemo-nos que até o último momento o PT tentou incluir o PDT no leque de alianças e que o governador Tarso Genro manifestou interesse em contar com o apoio do PDT, ainda durante o processo eleitoral, mesmo o PDT estando aliado ao PMDB.  
Se prevalecer a opção pelo PDT, com certeza estará muito mais baseado em questões de sustentação do governo estadual do que nas questões municipais.
O ato do PT abrir mão de uma candidatura própria poderá ser visto como um gesto de grandeza e de não hegemonia. Mas, também, significará deixar de lado as melhores condições vividas para conquistar o governo municipal desde a derrota de 2004. Se em 1998, o fato de governar Porto Alegre foi importante à conquista do governo estadual. Em 2012, o efeito de governar o estado e o país deverá jogar papel significativo, por óbvio, na disputa pela capital. Sendo assim, é difícil acreditar que o PT não terá candidatura própria e vai abrir mão de um imenso capital político.
Porém, não é menos verdade, que essa opção ainda precisa ser materializada através de um nome, a princípio de consenso, que represente o partido na eleição. Até o momento apenas o Ver. Adeli Sell colocou o seu nome a disposição para a disputa. As outras possibilidades não se colocaram na disputa embora o leque de opções seja grande e variado. Raul Pont, Maria do Rosário, Adão Villaverde, Henrique Fontana e Sofia Cavedon são nomes ouvidos intramuros como possíveis alternativas.
Certamente, o PT não poderá abrir mão de seu papel de principal partido de esquerda e para bem representá-lo apresentar uma alternativa de candidatura própria. Essa definição deverá ser feita de forma segura e cautelosa, evitando turbulências junto aos aliados dos governos estadual e federal, principalmente, no 1ºturno, onde poderão concorrer mais de uma candidatura da base governista.  

*        Zé Reis – Secretário Geral do PT de Porto Alegre
**      Paulo Wayne – ex-Tesoureiro do PT de Porto Alegre