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quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Pesquisa Kepeler/Sul21 aponta intenção de voto para a prefeitura de Porto Alegre

publicado originalmente no Blog Sul21, de 27/10/11.


Faltando um ano para Porto Alegre eleger seu novo prefeito, pesquisa da empresa Kepeler Consultoria publicada em parceria com o Sul21 mostra que a deputada federal Manuela D’Ávila (PCdoB) lidera quatro dos seis cenários da pesquisa. No entanto, José Fortunati (PDT) aparece melhor colocado na pesquisa espontânea. Mesmo liderando a maioria dos cenários, a deputada é acompanhada de perto pelo prefeito em todas as projeções.
A Kepeler Consultoria entrevistou 600 eleitores de Porto Alegre entre os dias 21 e 24 de outubro. A margem de erro da pesquisa é de 5 pontos percentuais, para mais ou para menos. A amostragem da pesquisa foi coletada em 73 pontos da capital gaúcha, abrangendo todas as regiões do Orçamento Participativo (OP).
Espontânea
Na pesquisa espontânea, José Fortunati (PDT) aparece com 10,8% das intenções de voto. A deputada federal Manuela D’Ávila (PCdoB) recebeu 10,7% das menções dos eleitores. Todos os outros candidatos somados totalizaram 9,9% das intenções de voto. José Fogaça (PMDB) teve 2,5% das menções. Entre os petistas, a ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário (PT) aparece com 2,2%, enquanto Olívio Dutra apresenta 2%, Tarso Genro surge com 1,7% e Raul Pont com 1,5%.
A maioria dos entrevistados (43,5%), porém, disse que ainda não sabe em quem vai votar para a prefeitura de Porto Alegre. Outros 7% responderam que votariam em branco caso as eleições fossem hoje, 4,5% disseram que anulariam o voto e 5,7% não informaram a preferência.
Veja o gráfico da pesquisa espontânea. Clique na imagem para ampliar.
Kepeler Consultoria
Pesquisa espontânea sobre a intenção de voto para a prefeitura de Porto Alegre. No item "outros" estão agrupados os candidatos que tiveram no máximo 1% das menções | Fonte: Kepeler Consultoria
Estimulada
Na pesquisa estimulada, na qual é apresentado aos entrevistados um disco com os nomes dos candidatos, a pesquisa montou seis cenários diferentes. No primeiro deles, a deputada federal Manuela D´Ávila (PCdoB) aparece com 30,2% da preferência do eleitorado de Porto Alegre, seguido pelo prefeito José Fortunati (PDT), com 28,2% dos votos.
O deputado federal Nelson Marchezan Jr (PSDB) registrou 6,5% das intenções de voto, enquanto o deputado estadual Adão Villaverde (PT) recebeu 5,7%. Também registram intenções de voto Sebastião Melo do PMDB com 3%, Paulo Borges (DEM) com 2,5%, Roberto Robaina (PSOL) com 1,7%, José Francisco Malmann (PHS) com 0,8%.
Neste cenário, disseram que votariam em branco 6,2% dos entrevistados, enquanto 9,2% dos eleitores não souberam responder. Dos consultados, 5,3% disseram que anulariam o voto e 0,8% não informaram sua preferência por algum candidato.
Veja o gráfico do primeiro cenário da pesquisa estimulada. Clique na imagem para ampliar.
Kepeler Consultoria
Cenário 01 - Pesquisa estimulada sobre a intenção de voto para a prefeitura de Porto Alegre | Fonte: Kepeler Consultoria
O segundo cenário traz Manuela D´Ávila com 29,8% das intenções de voto, seguido por José Fortunati, que aparece com 26,3% das menções dos entrevistados. Em seguida, aparecem Nelson Marchezan Jr e o deputado federal Henrique Fontana (PT), com 8% e 7,7% das intenções de voto, respectivamente. Sebastião Melo aparece neste cenário com 3,2% das menções dos entrevistados, Paulo Borges com 3%, Roberto Robaina com 1,8% e José Francisco Mallmann com 1,2%
Na simulação, os eleitores que votariam em branco totalizaram 6,3%; os que não souberam responder foram 7%; 4,7% disseram que anulariam o voto e 1% não informaram a preferência.
Veja o gráfico do segundo cenário da pesquisa estimulada. Clique na imagem para ampliar.
Kepeler Consultoria
Fonte: Kepeler Consultoria
No terceiro cenário montado pela pesquisa, Manuela D´Ávila aparece com 32,2% das intenções de voto, seguido por José Fortunati, que registra 26,7% da preferência dos entrevistados. Nelson Marchezan Jr recebeu 6,8% das menções. Já Adeli Sell teve 4,3% das intenções de voto. Neste cenário, Sebastião Melo registra 3,7% das intenções de voto, Paulo Borges fica com 3%, Roberto Robaina com 1,7%, José Francisco Malmann com 1,2%.
Nesta simulação, 6,2% dos entrevistados disseram que votariam em branco; 8,8% disseram não saber responder; não informaram a preferência 0,8% e 4,7% afirmaram que anulariam o voto.
Veja o gráfico do terceiro cenário da pesquisa estimulada. Clique na imagem para ampliar.
Kepeler Consultoria
Fonte: Kepeler Consultoria
No quarto cenário da pesquisa, o prefeito José Fortunati lidera as intenções de voto com 24,2%, seguido pela deputada Manuela D´Ávila que registra 22,7% e em terceiro lugar aparece a ministra Maria do Rosário com 20%. Nelson Marchezan Jr aparece com 5,8%, Paulo Borges com 3,8%, Sebastião Melo 3%, Roberto Robaina 1,7% e José Francisco Malmann com 1,5%.
Nesta simulação 7,3% dos eleitores consultados na pesquisa não souberam responder, 5,2% afirmaram que votarão em branco, 4% disseram que anularão o voto e 0,8% se recusaram a informar sua preferência.
Veja o gráfico do quarto cenário da pesquisa estimulada. Clique na imagem para ampliar.
Kepeler Consultoria
Fonte: Kepeler Consultoria
No quinto cenário apontado pela pesquisa, Manuela D´Ávila registra 28% das intenções de voto, enquanto José Fortunati aparece com 24,8%. Raul Pont recebeu 14,2% e Nelson Marchezan Jr com 5,8%. Neste cenário, Sebastião Melo 3,2%, Paulo Borges 2,3%, Roberto Robaina 1,8% e José Francisco Mallmann com 1,5%.
Nesta simulação, 7,3 dos entrevistas afirmaram não saber em quem vão votar, 5,7% disseram que votariam em branco, 4,7% devem anular o voto e 0,8% disseram que preferem não informar sua decisão.
Veja o gráfico do quinto cenário da pesquisa estimulada. Clique na imagem para ampliar.
Kepeler Consultoria
Fonte: Kepeler Consultoria
No sexto e último cenário foi excluída a candidatura própria do PT. A pesquisa apontou que Manuela D´Ávila com 30,3% das intenções de voto, enquanto Fortunati registra 28,7%. Em terceiro lugar aparece Nelson Marchezan Jr com 5,2%, seguido de Paulo Borges com 4,8%, Roberto Robaina com 4%, Sebastião Melo 3,8% e João Francisco Malmann com 1,8%.
No simulação, 8,3% dos entrevistados não souberam responder; 7,3% afirmaram que vão votar em branco; 5% disseram que devem anular o voto e 0.7% optaram por não informar.
Veja o gráfico do sexto cenário da pesquisa estimulada. Clique na imagem para ampliar.
Kepeler Consultoria
Fonte: Kepeler Consultoria
A pesquisa também mediu a rejeição dos pré-candidatos junto ao eleitorado de Porto Alegre, quando a pesquisa pergunta em quem os entrevistados não votariam, apresentando um novo disco com a lista de todos os candidatos.
O deputado estadual Raul Pont teve rejeição de 15,7% dos entrevistados; a ministra Maria do Rosário teve 10,8% e o deputado Nelson Marchezan Jr teve 9,2% de rejeição, mesmo índice obtido pela deputada Manuela D´Ávila. No quesito, Paulo Borges registrou 7,8%; José Fortunati 5,5%; Adeli Sell 4,5%, Roberto Robaina, 4,3% Sebastião Melo 4,3%, José Francisco Malmann 4%. A menor rejeição foi para Henrique Fontana 2,8% e Adão Vilaverde 2,8%.
Neste quesito, 10,7% dos entrevistados não souberam responder; 3% afirmaram não ter rejeição por nenhum dos candidatos e 0,7% não informaram.
Veja o gráfico do quesito rejeição. Clique na imagem para ampliar.
Kepeler Consultoria
Fonte: Kepeler Consultoria
Nota metodológica
Pesquisa de opinião pública sobre assuntos políticos.
Público alvo: eleitores registrados no município de Porto Alegre.
Total de eleitores de Porto Alegre: 1.058.044 eleitores (TRE-RS).
Período de realização: 21 a 24 de outubro de 2011.
Técnica amostral: quantitativa probabilística por cotas de sexo, idade e escolaridade, conforme o perfil fornecido pelo Tribunal Superior Eleitoral, cumprindo-se, assim, nesta pesquisa todas as exigências do TSE.
Tamanho da amostra: 600 entrevistas.
Área de realização da coleta de dados: centro da cidade e mais 73 regiões do Orçamento Participativo do município.
Técnica de coleta de dados: entrevistas individuais e pessoais, com aplicação de questionário estruturado contendo perguntas fechadas, semi-abertas e abertas, realizadas em pontos de fluxos de pessoas por pesquisadores treinados.
Supervisão de campo: in loco de 100% das entrevistas por técnicos experientes e rechecagem de no mínino 12% das entrevistas por conferência telefônica.
Margem de erro esperada de cinco pontos percentuais para mais ou para menos e grau de confiança de 95%. Isto significa que se forem realizadas 100 pesquisas segundo a mesma metodologia utilizada nesta pesquisa ao menos 95 delas apresentarão resultados semelhantes

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Lula quer PT com candidato próprio em Porto Alegre

publicado no blog do Noblat, de 08/10/11

Felipe Patury, ÉPOCA

Em conversas com aliados, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva analisou a situação do PT na eleição para prefeito de Porto Alegre no próximo ano. Uma das alternativas de seu partido seria apoiar a deputada Manuela D’Ávila, que pertence ao PCdoB, um tradicional aliado do PT, e está na frente nas pesquisas. A segunda seria apoiar a reeleição do prefeito José Fortunati, do PDT, outro aliado petista. A terceira é a menos promissora do ponto de vista eleitoral: lançar uma candidatura própria, o que atenderia uma demanda da militância petista de bombacha. Antes refratário a um candidato petista , Lula passou a defender a ideia para evitar ruídos com PCdoB e PDT.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Uma análise sobre a pesquisa e o cenário eleitoral em Porto Alegre 2012

 
postado no blog Contraversando
 
por André Rosa
 
 
 
Pesquisas eleitorais sempre mostram o comportamento do eleitor num determinado momento. Por isso, sempre devem ser relativizadas, ser um dos elementos de qualquer análise e não a análise propriamente dita. Ainda mais quando ela é feita a mais de um ano antes da eleição. Geralmente, neste cenário, devido a distância de tempo dela com relação ao processo eleitoral, ela é absolutamente inconclusiva. Tese que se comprova ao analisarmos qualquer um dos últimos cenários eleitorais no RS e no Brasil. Nos últimos pleitos, pesquisas realizadas a um ano antes da eleição indicaram o favoritismo de um candidato ou candidata que acabou não se confirmando logo adiante. Há inclusive casos de candidatos ou candidatas aparecerem nestas pesquisas com patamares abaixo de 5% das intenções de voto que acabaram por vencer pleitos eleitorais.

No entanto, arrisco tecer alguns comentários, ainda que preliminares acerca do resultado da pesquisa divulgada no último domingo (11/09) sobre as eleições de Porto Alegre:

1 - Não é possível afirmar que a candidatura melhor colocada na pesquisa é favorita para vencer o pleito. A diferença apontada com relação ao segundo colocado oscila entre 2 e 6 pontos percentuais, quando a margem de erro é de 4 pontos percentuais para mais ou para menos.

2 - O segundo colocado é justamente o atual prefeito, o qual, segundo a pesquisa, teria 69% de aprovação dos entrevistados. O mesmo também lidera a intenção de voto espontânea e sua rejeição está abaixo da candidatura melhor colocada.

3 - Os dois primeiros colocados na maioria dos cenários já anunciaram suas candidaturas há tempos, o que, evidentemente, faz com que sejam melhor visualizados pelos entrevistados.

4 - Mesmo não tendo candidatura definida e um processo de debates em curso que considera inclusive a possibilidade de compor aliança com um dos primeiros colocados, o PT aparece muito bem no cenário eleitoral. A ministra Maria do Rosário, que deve continuar no comando da Secretaria de Direitos Humanos do governo Dilma, aparece com 15% das intenções de voto. O ex-prefeito e deputado estadual Raul Pont aparece com 10% e o vereador Adeli Sell com 1%. Na espontânea, nomes do PT somados aparecem com 7%.

5 - Com relação ao PMDB, que também não definiu suas estratégia eleitoral para 2012, o cenário é diferente. Caso tenha candidatura, os nomes colocados não ultrapassam 1% das intenções de voto.

6 - As candidaturas de DEM e PSDB tendem a ser coadjuvantes no processo eleitoral.

7 - 56% dos entrevistados sequer indicaram um candidato ou candidata de sua preferência. Mesmo podendo apontar até nomes alheios ao processo eleitoral.

Diante do cenário colocado, tendo como um dos seus objetos de análise a recente pesquisa, é possível afirmar que é fundamental para o PT apresentar candidatura à Prefeitura de Porto Alegre em 2012. Aparentemente, além da sua militância, parcela significativa da população espera isso do partido. Caso opte por não ter candidatura própria em 2012, o PT correrá o risco de ver diminuir sua bancada no legislativo municipal e de seus espaços nos movimentos sociais e populares. Por consequência acabará por abrir mão de ser protagonista na discussão sobre qual Porto Alegre teremos no futuro, debate que vai muito além do processo eleitoral que se realizará no próximo ano.
 
postado por André Rosa

domingo, 22 de maio de 2011

Uma proposta indecente

extraído do blog RSurgente, de 17/05/11

 
Por Paulo Muzell

A aliança com o PDT na campanha que elegeu Tarso Genro governador do Estado no primeiro turno trouxe para o prefeito de Porto Alegre, José Fortunati, uma nova e grande esperança: conseguir o apoio do PT nas eleições municipais de 2012.
Tarefa difícil, diga-se de passagem. Vice de um governo de uma coalizão de centro-direita que derrotou o PT e seus aliados nas últimas duas eleições na capital, Fortunati, assume a Prefeitura em 2010, favorecido pela renúncia de Fogaça, que se candidata a governador. Assume um governo já na metade do seu sexto ano, desgastado por inúmeras denúncias – licitações fraudulentas no DMLU e no Sócio-Ambiental; compras superfaturadas da Divisão de Iluminação Pública na SMOV; desvio de recursos do Pró-Jovem e do PSF, além das contratações irregulares de serviços. Aliás, a terceirização de serviços na área da segurança acabou indo parar nas páginas policiais com o assassinato do ex-vice prefeito e ex-secretário Municipal da Saúde, Eliseu Santos.
Os servidores municipais reclamam, com razão, do arrocho salarial, do aumento das desigualdades – só os detentores dos cargos mais altos tiveram ganhos reais -, do absurdo aumento do número de Cargos em Comissão (CCs) e de estagiários, cujo efetivo duplicou nesta administração.
Apesar da recuperação da receita municipal ocorrida nos últimos anos, decorrente do bom desempenho da economia, as taxas de investimento da Prefeitura diminuíram, o atendimento das demandas do Orçamento Participativo declinou drasticamente – apenas sete das 191 demandas de 2010 foram atendidas. Para completar este quadro desolador os serviços municipais são de péssima qualidade: postos de saúde superlotados prestam um mau atendimento; a coleta de lixo é deficiente e a cidade está cada vez mais às escuras. A conservação das vias é péssima, e até virou destaque no noticiário nacional: redes de televisão registram para todo o país o protesto bem humorado dos portoalegrenses que utilizam os buracos – eles existem em profusão – para ensaiar jogadas de golfe!!
Fortunati, apesar desse cenário desfavorável, não desiste do seu projeto pessoal de candidatar-se e de se eleger prefeito. Podem lhe faltar outros atributos, mas a persistência e a teimosia certamente não. Realiza, no entanto, movimentos contraditórios: por um lado reforça a direita no seu primeiro escalão, trazendo Zachia e Ana Pellini para seu governo. De outro, monta um canal de aproximação e conversa com alguns setores do PT propondo aliança e acenando com cargos. Ao longo dos últimos meses contatos e reuniões se tornaram vez mais freqüentes: algumas oficiais, públicas, outras nem tanto, reservadas e oficiosas. Os rumores aumentam, cochicha-se nos corredores à boca pequena que a oferta aumenta: poderão ser oferecidas duas, três ou até mais secretarias.
Não é fenômeno recente ou novo a crescente perda de credibilidade da política e dos políticos. Ocorre aqui no Brasil, mas tem caráter global. Coerência, cumprimento do programa, austeridade são atributos cada vez mais raros em todos os partidos. Aqui e lá fora. Mas são exatamente essas as qualidades que fazem um partido se afirmar e crescer. Vimos isso nas últimas décadas, ocorreu aqui, com o PT. Mas o próprio crescimento traz dilemas e desafios que é difícil enfrentar e superar. A opção pela via eleitoreira, a sedução pelos encantos do poder em detrimento da coerência e da disciplina programática levam ao descaminho. Que, sabemos, teve como maior vítima o próprio PDT nas últimas décadas. De partido de esquerda, combativo nos anos cinqüenta e sessenta, sobrevive hoje à base de alianças sem critério ou pudor, acordadas ora à direita, ora ou à esquerda, dependendo do momento e da ocasião. O resultado nós conhecemos: o partido perdeu a identidade, desfigurou-se, ficou sem cara. Ressente-se da falta de fortes lideranças locais ou nacionais e a cada eleição perde espaço e diminui de tamanho.
A bancada do PT na Câmara Municipal fez uma oposição forte e consistente ao governo Fogaça-Fortunati (Fo-Fo) ao longo desses últimos seis anos e cinco meses. Formulou seu diagnóstico corretamente: trata-se de um governo de direita, péssimo gestor, que não dialoga com as comunidades, que liquidou com o OP, submisso aos interesses do setor imobiliário: alterações pontuais realizadas no Plano Diretor da cidade comprovam isso. Um governo que não executa seus projetos e que não cumpre o seu próprio orçamento.
Aceitar esta absurda e inoportuna proposta de integrar um governo ao qual fez oposição sistemática seria um gesto de total incoerência. Seria negar o trabalho e o papel da bancada municipal do PT ao longo de mais de seis anos em troca da satisfação de interesses menores. 

Foto: Ricardo Giusti/PMPA

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Com que roupa eu vou?, por Zé Reis* e Paulo Wayne**



                                                                          

Distante, ainda, 18 meses das eleições de 2012 e com apenas um candidato declarado, as cartas começam a ser jogadas.
Embora já com sua candidatura definida, o atual prefeito José Fortunati, todavia, não tem resolvida sua política de alianças e, tampouco, esboçada publicamente.
Após, ter herdado o comando do Poder Executivo da Capital, com a renúncia do então prefeito Fogaça, em 2010, alguns analistas políticos e algumas lideranças de esquerda, esperavam que no início deste ano de 2011, com a assunção do novo governador do estado com o apoio do PDT, o atual prefeito faria uma mudança de perfil do seu governo e poderia até mesmo aproximar-se do Partido dos Trabalhadores, não foi o que aconteceu. Ao contrário, com algumas trocas pontuais de secretários o governo municipal manteve a aliança com os principais partidos que já davam sustentação a administração da capital e conservou inalterada a política do governo municipal.
Mesmo que alguns setores importantes do PT, minoritários ainda, esbocem uma simpatia por apoiar o candidato do PDT, essa possibilidade dialoga pouco com a vida, pois representaria um rompimento do Prefeito com boa parte de sua base aliada na Câmara de Vereadores, tornando difícil a governabilidade logo no momento em que mais precisará de apoio político.
 Uma aliança PDT-PT, implicaria na imediata mudança da base aliada do atual governo municipal e não garantia maioria no plenário, pois teria apenas 12 vereadores. Logo, só se viabilizaria com a adesão de mais dois ou três partidos.  Assim, o risco dessa operação é muito alto, exigindo do prefeito, que hoje tem uma base sólida, o risco de desagregar a base de apoio sem a garantia de uma composição ampla para o próximo período.
  Portanto, tudo indica que o leque de forças que apoia o atual governo deverá se repetir, com poucas defecções, tendo como centro o PDT e o PMDB. Se tal hipótese se materializar teremos um bloco constituído por um partido da base do governo Tarso, os trabalhistas, com um dos seus principais adversários na Assembleia Legislativa, os peemedebistas. Restando saber qual será o papel dos demais partidos da base governista municipal: o PTB, o DEM, o PP, o PPS e o PSDB.
O PTB parece estar disposto a compor com um dos possíveis blocos. O PP tem a opção de apresentar a recém-eleita senadora, Ana Amélia Lemos, ou preservá-la para a eleição estadual de 2014. O DEM ensaia lançar o Dep. Estadual Paulo Borges, mas, provavelmente, dependerá das possibilidades de alianças. O PSDB poderá valer-se de um nome da família Crusius (Yeda ou Tarsila) ou de Nelson Marchezan Júnior para buscar fortalecer o partido e arregimentar forças para a próxima disputa estadual.
Desde a última eleição municipal PCdoB-PSB formaram um bloco político que tende a se repetir em 2012 e deve ter como candidata, mais uma vez, a Dep. Fed. Manuela D’avila. Essa aliança exerce uma forte pressão no PT, inclusive por dentro do governo estadual, para que sua candidatura seja a que represente as forças políticas que dão apoio e sustentação aos Governos Tarso e Dilma. Lastreada na expressiva votação obtida na eleição de 2010, a deputada procura se colocar como a principal opção do bloco, entretanto sempre fica a desconfiança de que poderá não ter fôlego para a disputa. Lembremo-nos que, em 2008, foi uma candidata com forte mídia e uma boa largada, mas esmaeceu na reta de chegada, principalmente, pela composição com o PPS e pela força da militância do PT, que lhe fez forte oposição. Sem a atração do PT para o bloco a tendência da candidatura de Manuela deve ser a mesma da eleição municipal passada. Largar bem e perder fôlego na chegada, até por que já não será mais uma novidade.
O Partido dos Trabalhadores ainda não definiu se aposta em uma candidatura própria ou apoia algum dos aliados. As manifestações das instâncias diretivas, mesmo que não públicas ainda, revelam cautela. Mas, grosso modo, podemos dizer que na esfera da direção municipal existe uma maioria inclinada por uma alternativa de candidatura própria. No âmbito estadual a cautela é maior ainda, não existindo uma maioria inclinada por uma ou outra opção, apenas, a certeza de que o caminho escolhido deve ser trilhado com todas as precauções possíveis para que tenha o menor impacto na base aliada dos governos estadual e federal.
Seja qual for a opção é certo que haverá decisões importantes a tomar.
Se optar por apoiar a candidatura de um dos aliados, PDT ou o bloco PCdoB-PSB, certamente terá que aparar arestas com o não escolhido, que no mínimo colocar-se-á em uma postura política neutra em relação ao governo estadual, estando, portanto, suscetível a pontualmente votar com a oposição. O risco aumenta se a escolha recair no bloco PCdoB-PSB, pois significará virar as costas ao PDT, que tem uma bancada maior na Assembleia Legislativa.
Escolher o PDT, se esse não romper o atual bloco de situação em Porto Alegre, com os riscos já abordados anteriormente, será aliar-se a seus algozes na eleição de 2004 e 2008. Além disso, os embates entre as bancadas do PT e PDT na Câmara de Porto Alegre tem sido frequente, principalmente, em relação a CPI da Juventude.
Igualmente, não se pode esquecer que há muito tempo a maioria dos dirigentes pedetistas, principalmente os da capital, optou por não aliar-se ao PT. Sendo exceção a atual participação no governo estadual, que se dá muito mais por uma intensa mobilização e opção do PT. Recordemo-nos que até o último momento o PT tentou incluir o PDT no leque de alianças e que o governador Tarso Genro manifestou interesse em contar com o apoio do PDT, ainda durante o processo eleitoral, mesmo o PDT estando aliado ao PMDB.  
Se prevalecer a opção pelo PDT, com certeza estará muito mais baseado em questões de sustentação do governo estadual do que nas questões municipais.
O ato do PT abrir mão de uma candidatura própria poderá ser visto como um gesto de grandeza e de não hegemonia. Mas, também, significará deixar de lado as melhores condições vividas para conquistar o governo municipal desde a derrota de 2004. Se em 1998, o fato de governar Porto Alegre foi importante à conquista do governo estadual. Em 2012, o efeito de governar o estado e o país deverá jogar papel significativo, por óbvio, na disputa pela capital. Sendo assim, é difícil acreditar que o PT não terá candidatura própria e vai abrir mão de um imenso capital político.
Porém, não é menos verdade, que essa opção ainda precisa ser materializada através de um nome, a princípio de consenso, que represente o partido na eleição. Até o momento apenas o Ver. Adeli Sell colocou o seu nome a disposição para a disputa. As outras possibilidades não se colocaram na disputa embora o leque de opções seja grande e variado. Raul Pont, Maria do Rosário, Adão Villaverde, Henrique Fontana e Sofia Cavedon são nomes ouvidos intramuros como possíveis alternativas.
Certamente, o PT não poderá abrir mão de seu papel de principal partido de esquerda e para bem representá-lo apresentar uma alternativa de candidatura própria. Essa definição deverá ser feita de forma segura e cautelosa, evitando turbulências junto aos aliados dos governos estadual e federal, principalmente, no 1ºturno, onde poderão concorrer mais de uma candidatura da base governista.  

*        Zé Reis – Secretário Geral do PT de Porto Alegre
**      Paulo Wayne – ex-Tesoureiro do PT de Porto Alegre

domingo, 24 de abril de 2011

Fortunati mantém a base aliada de Fogaça

* extraído da página do Jornal do Comércio, de 24/04/11.



Sonho dos pedetistas, a aproximação com o PT de Porto Alegre é considerada cada vez mais remota
Marco Quintana/JC
José Fortunati trabalha para a reeleição em 2012.
José Fortunati trabalha para a reeleição em 2012.


Sem uma posição clara do PT municipal, que está no início das articulações para as eleições de 2012, o prefeito de Porto Alegre, José Fortunati (PDT), tem trabalhado para manter o apoio de PMDB, PTB, PP, PPS e DEM, os aliados conquistados pelo seu sucessor, o peemedebista José Fogaça - que deixou o cargo para concorrer ao Palácio Piratini no ano passado.

Incentivado por lideranças pedetistas que viam na aliança com o PT uma possibilidade de viabilizar a reeleição, Fortunati projetou para o início deste ano alterações no primeiro escalão da prefeitura, que poderiam até mesmo incluir o ingresso de petistas no governo, em uma espécie de dobradinha com o governo do Estado e a presidência da República.

O plano era  que siglas que possuem projeto de candidatura própria ou que não têm interesse em apoiar o PDT na disputa municipal fossem desligadas. Mas, apesar do ingresso dos pedetistas no governo Tarso Genro (PT), a promessa de uma grande mudança no primeiro escalão não se consolidou; o pedetista optou por manter a maior parte dos nomes escolhidos por Fogaça e a aproximação com o PT de Porto Alegre hoje é considerada cada vez mais remota. Além das investidas do PCdoB, que já lançou a candidatura da deputada federal Manuela D’Ávila ao paço e tem a simpatia de parte do diretório municipal petista, o prefeito luta contra a rejeição da bancada do PT na Câmara Municipal. Na oposição, os petistas reforçaram as críticas à administração, que foi apelidada jocosamente de gestão “FoFo”, por conta das inicias do ex-prefeito e do atual chefe do Executivo.

Atualmente o PDT é o partido mais poderoso na administração, com o comando de oito pastas do Executivo. Caso a Câmara aprove a criação da Secretaria Especial dos Direitos Animais, a nova estrutura será coordenada pela primeira-dama, Regina Becker, também pedetista. O PMDB segue como o maior aliado, apesar do afastamento após a campanha ao Piratini. O partido viu com incômodo o desembarque em abril do ano passado do braço direito de Fogaça, o ex-secretário de Gestão Clóvis Magalhães, que foi substituído por Cezar Busatto (PMDB). Neste ano, a sigla revoltou-se com a saída do vereador Professor Garcia (PMDB) da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Smam). O diretório municipal mobilizou lideranças para discutir a participação no governo, porém, os prejuízos da derrota nas eleições de 2010 e a falta de um candidato natural para 2012 foram algumas das ponderações que mantiveram o PMDB no paço. Garcia deu espaço para o ex-deputado estadual Luiz Fernando Záchia (PMDB), que não se elegeu deputado federal e assumiu em fevereiro a Smam.

O presidente municipal dos peemedebistas, Sebastião Melo, diz que considera “natural” a reedição da aliança entre PMDB e PDT nas eleições de 2012, entretanto frisa que a decisão está nas mãos do atual prefeito. “Se Fortunati decidir manter essa aliança, que construiu vitórias e bons projetos para a cidade, acho natural o PMDB permanecer”, analisa. Melo sustenta que “o governo não é de um homem, é um conjunto de partidos e de lideranças”. O vereador peemedebista diz que entende o desejo de Fortunati de atrair o PT para o governo e garante que o PMDB não irá se envolver no tema. Para Melo, o pedetista tem dois objetivos com a aproximação com o PT: garantir apoio dos governos federal e estadual e dificultar a aliança em torno da candidatura de Manuela. “Não condeno, ele precisa dos governos do Estado e do País para fazer várias ações. E, no mínimo, age no sentido de o PT não jogar todas as suas cartas na Manuela”, opina o vereador, que acredita que se o PT ingressar na administração municipal “reconhece o bom governo”.

O ex-deputado estadual, Paulo Brum (PSDB), que não se elegeu deputado federal foi acomodado no governo, em fevereiro deste ano. Fortunati também reaproveitou integrantes do governo Yeda Crusius (PSDB), Ana Pellini e Edemar Tutikian. A atitude foi considerado por muitos um afago aos tucanos e uma indicação de fidelidade aos antigos aliados.



Nota do Ferreiro da Política - Tá na hora de cair a ficha de setores do PT, que ainda defendem uma aliança com o atual prefeito. É díficil acreditar que ele abandonará o leque de sustentação do seu governo para aventurar-se numa aliança com o PT, sabendo das dificuldades que as bases petistas terão para assimilar essa aliança.