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terça-feira, 16 de agosto de 2011
domingo, 31 de julho de 2011
DOBRAR OU SER DOBRADO?
por Zé Reis*
A matéria “Como Tarso pretende dobrar o PT”, publicada em Zero Hora, nesse domingo (31/07), informa que o Gov. Tarso Genro usará seu prestígio de quem ganhou a eleição de 2010 no primeiro turno, para defender que o PT, em Porto Alegre, não só abra mão de ter candidatura própria ao pleito municipal de 2012, mas, apoie a Dep. Federal Manuela em sua intenção de chegar ao Paço Municipal.
Muito embora, a reportagem não traga nenhuma declaração expressa do Gov. Tarso Genro, ela traz à tona aquilo que se houve intramuros no PT. Isto é, a opinião do companheiro Tarso em favor do apoio á Manuela. Mais, ainda cita os recados da Presidenta Dilma e do Presidente Lula no mesmo tom.
É inegável que são opiniões importantes em qualquer decisão sobre a tática e a estratégia eleitoral do PT em 2012. Mas, a própria matéria alerta para o fato de haver um caminho de convencimento e debate a ser percorrido. Também é destacado que a tendência Democracia Socialista, acena com a possível indicação do Dep. Est. Raul Pont, como candidato, e registra que o Ver. Adeli Sell, presidente do PT de Porto Alegre, já registrou sua pré-candidatura.
Talvez tenha faltado a matéria mais informações de como estão se posicionando outras tendências internas do PT e ouvir os membros da Direção Executiva Municipal. Dos 16 integrantes da Executiva Municipal, ao menos 10 já manifestaram o entendimento em favor da Candidatura própria. Também poderia ser revelado que além da DS as tendências Articulação de Esquerda e Movimento PT já se posicionaram em favor do PT apresentar candidato ou candidata em 2012.
Assim, se é verdade, que existe uma posição do companheiro governador, não é menos verdade, que tal posição não é majoritária. Ao contrário, tudo indica que é minoritária nas instâncias e entre os militantes do município de Porto Alegre. Aliás, não seria a primeira vez que a base petista optaria por uma solução diferente da pretendida pelo seu governador, prefeito ou presidente.
Lembremo-nos de alguns desses episódios.
Em 2000, o então ex-prefeito Tarso Genro, disputou e ganhou as prévias do então prefeito Raul Pont e do vice-prefeito Fortunati, para ver quem seria o candidato a prefeito.
Em 2002, o então prefeito Tarso Genro, disputou e ganhou as prévias para concorrer a Governador, disputando contra o Governador Olívio Dutra.
Em 2009, após um processo debates internos e um encontro extraordinário, o companheiro Tarso Genro foi escolhido candidato a governador às eleições de 2010, mesmo que a opinião do Presidente Lula fosse por uma aliança com o PMDB, para fortalecer a aliança da então candidata Dilma.
Esses episódios são emblemáticos na história recente do PT e demonstram a capacidade de sua base militante em construir caminhos próprios e independentes. E antes que alguém menos avisado tenha esquecido, em dois destes episódios, os caminhos apontados foram vitoriosos.
Ora, pensar a eleição de 2012, como momento de sustentação e confirmação dos acertos da eleição de 2010 e do governo do estado é importante, sem dúvida. Mas, não menos importante é pensar no capital político e no futuro do PT como um todo. E aí, não temos dúvida de que abrir mão de uma candidatura própria poderá ser muito custoso ao PT em Porto Alegre. O ato do PT abrir mão de uma candidatura própria poderá ser visto como um gesto de grandeza e de não hegemonia. Mas, também, significará deixar de lado as melhores condições vividas para conquistar o governo municipal desde a derrota de 2004.
Certamente, o PT não poderá abrir mão de seu papel de principal partido de esquerda e para bem representá-lo apresentar uma alternativa de candidatura própria. Essa definição deverá ser feita de forma segura e cautelosa, evitando turbulências junto aos aliados dos governos estadual e federal, principalmente, no 1ºturno, onde poderão concorrer mais de uma candidatura da base governista.
Quanto à questão de nomes para a disputa é inconcebível aceitar-se a ideia que vem sendo plantada de que o PT não tem nomes viáveis. Um partido com lideranças como Olívio Dutra, Raul Pont, Maria do Rosário, Adão Villaverde, Henrique Fontana, Adeli Sell e Sofia Cavedon não está carente de opções. Ao contrário.
Dessa forma, espero que daqui alguns dias, publique-se uma matéria onde o título seja: “Como o PT convenceu Tarso” ou “Como o PT e Tarso encontraram uma solução própria”.
- Secretário Geral do PT de Porto Alegre
terça-feira, 24 de maio de 2011
Radicalismo e radicais
publicado originalmente no Correio do Povo, de 22/05/11.
por Juremir Machado
Crédito: ARTE JOÃO LUIS XAVIER
Durante muito tempo, anos, ouvi a mídia chamar de radical gente como Luciana Genro, Maria do Rosário, Raul Pont e Henrique Fontana. De tanto ouvir, eu até acreditava. Eram sempre os mesmos aplicando os mesmos rótulos às mesmas pessoas. Devia ser só uma coincidência, mas os conservadores, talvez por amizades com bons patrocinadores ou por poderem eles mesmos patrocinar, tinham mais espaço para etiquetar seus oponentes. Com o passar dos anos, fui percebendo que os ditos radicais só o eram talvez no sentido de que iam à raiz das coisas. Ou sejam, lutavam com unhas e dentes por suas ideias. Quase sempre, boas ideias. Por coincidência, ideias que contrariavam interesses seculares defendidos com voz macia por fanáticos (radicais?) dispostos a nada ceder.
Vejamos o caso de Luciana Genro. Conheço poucas pessoas tão coerentes, determinadas, inteligentes e desapegadas. Quanto o PT chegou ao poder, ela poderia ter navegado na onda e descolado um cargo de ministra ou coisa parecida. Manteve-se firme nas suas convicções. Foi expulsa. Consegue manter ótima relação com o pai, Tarso Genro, apesar das divergências políticas, sinal de alta inteligência emocional. Na última eleição, fez quase 130 mil votos. Não foi eleita. Entrou candidato com menos de 30 mil votos. Ninguém vai me convencer que esse sistema é justo. Concordando-se ou não com a ideologia de Luciana, ela é um exemplo de luta, de garra e de convicções. O mesmo vale, com suas especificidades e escolhas, para Maria do Rosário, Raul Pont e Fontana. Cometem erros? Imagino que sim. Procuram adaptar-se? Certamente. Contradizem-se? Só não o faz quem está morto. É isso aí.
As suas contradições são maiores do que as dos seus oponentes? Duvido. Quem é mais radical, Luciana Genro ou a senadora ruralista Kátia Abreu, que não quer saber de reserva legal nem de áreas de proteção permanente nas propriedades rurais? Quem é mais radical, Raul Pont ou Jair Bolsonaro? Quem é mais radical, Mari a do Rosário ou Ronaldo Caiado? Quem é mais radical, Henrique Fontana ou Jorge Bornhausen ou Índio da Costa, aquele que foi vice na chapa de José Serra e arrastou o tucano para a direita? Já sei que alguns dirão que sou petista. Não sou. Admiro Luciana Genro, do PSol. Admiro Maria do Rosário, do PT. Admiro Beto Albuquerque, do PSB. Admiro Fernando Gabeira, do PV. Admiro Ana Amélia Lemos, do PP. Admiro o PMDB pelo papel que desempenhou durante a ditadura. Aprendi que os mais radicais costumam ser aqueles que desqualificam constantemente os outros chamando-os de radicais. Precisamos de bons radicais.
Sempre admirei o mais genial dos radicais gaúchos, Leonel Brizola, o homem que garantiu a posse de João Goulart, em 1961, de metralhadora no ombro e discurso na Rede da Legalidade. Tenho mais medo dos que se apresentam como sensatos e moderados. Não raras vezes são radicais dissimulados prontos para pedir cabeças nos bastidores e degolar quem os incomoda. Contra os "radicais", em 1964, os militares que se achavam sensatos impuseram ao Brasil uma ditadura radical, que prendeu, torturou e matou.
Juremir Machado da Silva | juremir@correiodopovo.com.br
Durante muito tempo, anos, ouvi a mídia chamar de radical gente como Luciana Genro, Maria do Rosário, Raul Pont e Henrique Fontana. De tanto ouvir, eu até acreditava. Eram sempre os mesmos aplicando os mesmos rótulos às mesmas pessoas. Devia ser só uma coincidência, mas os conservadores, talvez por amizades com bons patrocinadores ou por poderem eles mesmos patrocinar, tinham mais espaço para etiquetar seus oponentes. Com o passar dos anos, fui percebendo que os ditos radicais só o eram talvez no sentido de que iam à raiz das coisas. Ou sejam, lutavam com unhas e dentes por suas ideias. Quase sempre, boas ideias. Por coincidência, ideias que contrariavam interesses seculares defendidos com voz macia por fanáticos (radicais?) dispostos a nada ceder. Vejamos o caso de Luciana Genro. Conheço poucas pessoas tão coerentes, determinadas, inteligentes e desapegadas. Quanto o PT chegou ao poder, ela poderia ter navegado na onda e descolado um cargo de ministra ou coisa parecida. Manteve-se firme nas suas convicções. Foi expulsa. Consegue manter ótima relação com o pai, Tarso Genro, apesar das divergências políticas, sinal de alta inteligência emocional. Na última eleição, fez quase 130 mil votos. Não foi eleita. Entrou candidato com menos de 30 mil votos. Ninguém vai me convencer que esse sistema é justo. Concordando-se ou não com a ideologia de Luciana, ela é um exemplo de luta, de garra e de convicções. O mesmo vale, com suas especificidades e escolhas, para Maria do Rosário, Raul Pont e Fontana. Cometem erros? Imagino que sim. Procuram adaptar-se? Certamente. Contradizem-se? Só não o faz quem está morto. É isso aí. As suas contradições são maiores do que as dos seus oponentes? Duvido. Quem é mais radical, Luciana Genro ou a senadora ruralista Kátia Abreu, que não quer saber de reserva legal nem de áreas de proteção permanente nas propriedades rurais? Quem é mais radical, Raul Pont ou Jair Bolsonaro? Quem é mais radical, Mari a do Rosário ou Ronaldo Caiado? Quem é mais radical, Henrique Fontana ou Jorge Bornhausen ou Índio da Costa, aquele que foi vice na chapa de José Serra e arrastou o tucano para a direita? Já sei que alguns dirão que sou petista. Não sou. Admiro Luciana Genro, do PSol. Admiro Maria do Rosário, do PT. Admiro Beto Albuquerque, do PSB. Admiro Fernando Gabeira, do PV. Admiro Ana Amélia Lemos, do PP. Admiro o PMDB pelo papel que desempenhou durante a ditadura. Aprendi que os mais radicais costumam ser aqueles que desqualificam constantemente os outros chamando-os de radicais. Precisamos de bons radicais. Sempre admirei o mais genial dos radicais gaúchos, Leonel Brizola, o homem que garantiu a posse de João Goulart, em 1961, de metralhadora no ombro e discurso na Rede da Legalidade. Tenho mais medo dos que se apresentam como sensatos e moderados. Não raras vezes são radicais dissimulados prontos para pedir cabeças nos bastidores e degolar quem os incomoda. Contra os "radicais", em 1964, os militares que se achavam sensatos impuseram ao Brasil uma ditadura radical, que prendeu, torturou e matou. Juremir Machado da Silva | juremir@correiodopovo.com.br |
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