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sábado, 25 de fevereiro de 2012

Serra se irrita após ouvir proposta de Alckmin para concorrer às prévias

publicado no Correio do Brasil, em 24/2/2012 

 Por Redação - de São Paulo

Serra
Alckmin propôs que Serra entre na fila para disputar a vaga de candidato tucano à prefeitura paulistana


Após a conversa com o governador paulista, Geraldo Alkmin, o candidato derrotado à Presidência da República, em 2010, vê ainda mais distante a possibilidade de concorrer novamente a prefeito de São Paulo, cargo que ocupou por dois anos antes de se lançar à campanha presidencial. Mesmo que garanta, novamente, terminar o mandato – fato que não ocorreu na última gestão, apesar da promessa no palanque da eleição para o cargo, em 2008 –, caso fosse eleito, Serra encontra dessa vez uma forte oposição na base do seu partido, o PSDB.
Alckmin, ao invés de concordar em ter Serra como candidato escolhido automaticamente, por seu posto de mando no ninho tucano, sugeriu a realização de prévias com os demais postulantes para a escolha do sucessor de Gilberto Kassab (PSD-SP). A imprensa conservadora paulistana comentou, em seguida à reunião, que Serra não deu resposta definitiva, mas “mostrou-se ‘receptivo’ à ideia, segundo interlocutores”, publicou um dos diários locais. O fato, no entanto, segundo integrantes da cúpula tucana daquele Estado, teve cores mais vivas. Serra teria ficado extremamente irritado com a proposta de Alkmin.
– Serra esperava mais da conversa com Alckmin – afirmou um parlamentar tucano ao Correio do Brasil, em condição de anonimato.
Os adversários de Serra em uma possível prévia nas hostes tucanas, marcadas para o próximo dia 4 de março, serão os secretários estaduais Andrea Matarazzo, Bruno Covas, José Aníbal e o deputado federal Ricardo Trípoli.

 

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Serra admite que PSDB não tem nome para 2012, tucanos insistem

puiblicado originalmente no blog Correio do Brasil, em 23/11/11


PSDB
PSBD deve apresentar o candidato à prefeitura de SP em janeiro e o partido ainda não decidiu um nome para as eleições 



Em janeiro de 2012, o PSDB deverá realizar prévias para escolher seu candidato a prefeito. Mas o impasse que tem dividido a opinião dos caciques tucanos e gerado novas polêmicas internas é falta de nomes conhecidos pelo eleitorado da capital.
Os quatro pré –candidatos que, até o momento, tiveram seus nomes citados entre as opções do partido para as eleições têm pouca representatividade entre o eleitorado da capital — o que tem gerado dúvidas e discórdias sobre a estratégia dos tucanos para 2012.
A investida de Serra contra a realização das prévias levou a cúpula do PSDB a reagir na última terça-feira com a publicação de uma nota em que o partido se declara disposto “de maneira inconteste” a disputar as eleições com candidato próprio.
O desgaste da relação de Serra com a cúpula do tucanato não é novidade. Os constantes desentendimentos entre o ex-governador e outras lideranças do partido como o senador Aécio Neves (PSDB-MG) e o governador de SP Geraldo Alckmin são uma mostra da divisão do tucanos e da luta interna por poder.
Discussão
Um dos mais recentes episódios envolvendo Serra aconteceu no último fim de semana, quando o ex-governador discutiu por telefone com o presidente do diretório estadual, Pedro Tobias. Segundo a Folha, Tobias teria se queixado a três pessoas de sua confiança da atitude de Serra.
O bate boca teria ocorrido depois que o presidente do diretório estadual disse a Serra que sua avaliação sobre a falta de competitividade dos candidatos tucanos era uma “bobagem completa” e que o partido não poderia abrir mão da candidatura própria em 2012.
Serra afirmou a Tobias que não se envolverá na campanha se o partido insistir em lançar candidato próprio e vetar a aliança com o PSD, o partido criado neste ano pelo prefeito Gilberto Kassab.
Derrotado nas eleições presidenciais de 2010, Serra tem recebido apelos para se candidatar a prefeito, por ser o tucano mais bem colocado nas pesquisas de intenção de voto. Mas ele nega ter interesse em participar da disputa.
A reação do PSDB de São Paulo teve apoio do presidente nacional da legenda, deputado Sérgio Guerra (PE). O governador Geraldo Alckmin foi informado do teor da nota e deu aval à sua divulgação.
Mesmo tucanos próximos a Serra, como o secretário estadual da Cultura, Andrea Matarazzo, um dos quatro pré-candidatos do partido, discordam da tese de que o PSDB deveria abrir mão da candidatura e apoiar o PSD.
Mais desentendimentos
A discussão com Tobias não foi o único atrito em que Serra se envolveu nos últimos dias. No último sábado, como informou ontem o Painel da Folha, ele questionou o presidente da Juventude do PSDB paulista, Paulo Mathias, 20, sobre a omissão de seu nome numa publicação do movimento.
Segundo relatos de pessoas presentes, Serra disse ao estudante que a Juventude Tucana era “um bando de pelegos” e que ele não deveria “se intrometer em questões nacionais e municipais”.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

O beco sem saída do PSDB




Por Luis Nassif

Dilma vai para a Europa e faz recomendações aos governos nacionais. Em editorial, o Estadão critica sua postura professoral. Aí o senador Álvaro Dias ecoa as críticas no Senado, em mencionar a fonte. E o mesmo faz José Serra no Twitter. Na entrevista de Aécio Neves ao Estadão, a falta absoluta de ideias.
E só. Consultem os jornais, rádios, as últimas declarações de políticos e lideranças tucanas. Resumem-se a isso, críticas pontuais, em geral pautadas pela mídia.
Há dois tipos de políticos que aspiram à presidência. Aquele que traz novas ideias que mudam primeiro seu partido, depois o país; ou aquele que reflete as ideias e valores de determinados grupos e, especialmente, de seu partido político.
Obviamente Aécio não é gerador de ideias próprias. Mas e o PSDB? Como solta assim no ar o balão do seu candidato, sem sequer ter se dado ao trabalho de costurar um programa, um conjunto mínimo de ideias que fosse? Cadê seus pensadores, seus estrategistas? Como é que se monta um discurso oco em cima de uma mera pesquisa de opinião?
Ouso supor que o partido está em um beco sem saída.

O núcleo financista do partido – hoje em dia encastelado na Casa das Garças – tem interesses próprios. O PSDB foi apenas a escada para se lançarem ao poder. Embarcaram de carona na onda neoliberal, traduziram os bordões e o jogo de interesses para o português, usaram o partido que tinham à mão. E nada mais.
O núcleo desenvolvimentista sumiu. Os irmãos Mendonça de Barros resolveram aderir ao mercadismo do dia-a-dia e o núcleo FGV-SP (de Bresser-Pereira e Nakano) está fora do barco faz tempo.
De seu lado, Serra transformou seu entorno no mais puro esgoto político. Jogou pelo ralo as ideias de um grupo de técnicos respeitáveis, assumiu sua própria ignorância econômico-político-administrativa, passou a exigir dos seguidores provas seguidas de vilania e trouxe à tona a cara de um partido que já não tinha ideias para oferecer. Nem o DEM, na fase mais iracunda, conseguiu chegar perto da imagem medieval que Serra conferiu ao PSDB.
Sempre torci para que o PSDB conseguisse se refundar, apresentar-se como uma oposição legitima e civilizada, exorcizando os fantasmas da última eleição. Seria o amadurecimento final do modelo político brasileiro. Apostei em Aécio como uma alternativa do partido ao cenário de trevas representado pelo Serra, muito mais pela concepção administrativa que seu governo desenvolveu. Mas não tem fôlego para se impor. A sorte do país é que, com Aécio ou sem Aécio, também não há retorno para Serra.
A cada dia que passa fica cada vez mais claro que o partido entrou em um caminho sem futuro. Perdeu massa crítica de pensadores. Com Serra, perdeu legitimidade junto aos meios intelectuais e à opinião pública esclarecida. Os sociólogos e cientistas políticos da USP desempenham apenas papel de viúvas de FHC, sem conseguir entender ou elaborar o novo. O próprio FHC recolheu-se a uma merecida aposentadoria. Faltava apenas o reconhecimento de fora para aplacar suas angústias. Dilma forneceu-lhe o reconhecimento.
Cumprir-se-á o vaticínio de José Sarney, que, em 2009, previu que a oposição sairia do seio das forças coligadas à situação.

Jogo de xadrez

Passados mais de 20 anos da primeira eleição direta do país pós-64, é interessante notar como se deu o xadrez político.
Fernando Collor surgiu com o discurso novo, que mudou o país. Não colheu os frutos por ser um desastre político. FHC herdou o discurso modernizante de Collor, e atraiu – meramente pelo efeito imã do poder – as melhores ideias acumuladas ao longo dos dez anos anteriores. Havia um genuíno sentimento centro-esquerda em curso, aspirando a modernização mas com responsabilidade social.
Fosse um político de visão, FHC teria avançado nas privatizações mas, ao mesmo tempo, fechado o campo para a oposição, entrando decididamente na área social. Tinha quadros, novas ideias amadurecidas pelo país e uma grande conselheira em casa, dona Ruth. Mas limitou-se a entrar na onda financista mundial. Recebeu as ideias de mão beijada e não teve fôlego para elaborar em cima delas.
Não teve nem visão para perceber a armadilha cambial, montada pelo lado financista, nem sensibilidade para entender que a chave para os vinte anos de poder – ambicionados por Sérgio Motta – estava em dona Ruth, não nos Bachas da vida. Como nunca teve visão apurada dos grandes Estadistas, deixou uma avenida aberta para o discurso social do PT.
Eleito, Lula deu as cabeçadas iniciais previstas. Mas a bandeira social foi tão forte que ajudou-o a resistir ao episódio do “mensalão”. Depois, consolidou-se mapeando todos os diferenciais apregoados pela oposição e ocupando o espaço. Com sua intuição, fez o que FHC deveria ter feito no seu governo, para não abrir espaço para a oposição.
Com o Banco Central de Meirelles aplacou a oposição mercadista (a um custo alto para o país). Com as políticas sociais não populistas, consagrou-se mundialmente como o homem da inclusão. Com o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) levantou a bandeira da gestão dos investimentos públicos. Absorveu os movimentos sociais, trouxe o PT mais para o centro e foi jogando gradativamente o PSDB para a direita.
Esvaziou a campanha sistemática dos que o apontavam como ameaça à democracia, golpista etc. Finalmente, indicou para a presidência uma candidata com todas as características enaltecidas pelos seus próprios críticos – características acessórias, que não mudavam a essência do governo. Uma presidenta sem arroubos oratórios, classe média, estudada, mais comedida na política internacional, com mais gestão (em cima das bases plantadas), sem entrar em guerra com a mídia e encarnando a figura da “faxina” e pragmatismo nas questões de concessão e privatização.
Entende-se a sinuca de bico do PSDB.
Duas chances perdidas
Tenho para mim que as últimas duas chances do PSDB voltar ao poder foram desperdiçadas por José Serra.
A primeira, quando tornou-se governador de São Paulo. Já escrevi várias vezes: era muito mais fácil mudar São Paulo do que o Brasil. Com um pouco de visão e de boa vontade, poder-se-ia mobilizar as forças mais poderosas do país em torno de um projeto de governo – grandes empresas, sociedade civil consolidada, os melhores institutos de pesquisa do país, uma robusta rede de cidades médias, organizações empresariais e sindicais atuantes. Tendo a melhor plataforma para pavimentar a candidatura à presidência, a mediocridade de Serra matou a oportunidade. Na campanha, não tinha o que mostrar.
A segunda chance desperdiçada pelo PSDB foi quando abriu mão de Aécio Neves por Serra, na campanha de 2010. Tinha-se ainda uma Dilma Rousseff pouco conhecida – e, por isso mesmo, vulnerável às campanhas difamatórias produzidas. E tinha-se Aécio Neves com baixo grau de rejeição, imagem jovem e com uma marca forte de articulador político e de gestor. Além de Minas ter um dos maiores contingentes eleitorais do país.
Em meados de 2009, o sagaz deputado Saulo Queiroz, do DEM, mostrou que seria quase impossível vencer com Serra. A única chance da coligação seria com Aécio. Sua análise custou-lhe um exílio dentro do próprio partido. Serra soube e jogou sobre ele sua ira. Correligionários evitavam aparições em público com o deputado, para não incorrerem na ira de Serra.
Hoje, Saulo é secretário-geral do PSD, partido que nasceu das entranhas do DEM. O DEM é um partido moribundo. Dilma tornou-se conhecida, a exposição de Aécio o tornou menor do que a imagem que projetava. E o PSDB tornou-se um partido sem perspectivas de poder. Essa foi a derradeira herança de Serra – justamente o político que, nos anos 90, encarnava as esperanças de renovação do partido.