Mostrando postagens com marcador IBOPE. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador IBOPE. Mostrar todas as postagens

domingo, 14 de agosto de 2011

Presidentes em Números


Saíram, nos últimos dias, três pesquisas de opinião sobre o governo Dilma. Com suas dessemelhanças, todas são comparáveis. E pintam um retrato parecido, no qual ressalta a boa avaliação que dele faz a maioria da população.
A mais recente é do Ibope e é a segunda do instituto a ser divulgada este ano. Antes, havia sido publicada uma pesquisa da Vox Populi e a terceira que o Datafolha realizou em 2011.
Segundo os dados do Ibope, a soma dos que acham “ótimo” e “bom” o governo caiu de 56% para 48%, entre março e o final de julho. Considerando a margem de erro admitida, é uma diferença real, mesmo que não muito grande.
Não por outra razão, foi a que teve maior repercussão na mídia e a única a respeito da qual a própria Dilma foi instada a falar. Como era de esperar, manifestou-se de maneira protocolar, dizendo que via a queda “com naturalidade”.
É assim mesmo que deveria vê-la. Aliás, foi apenas na comparação da mais recente com a anterior do Ibope que se verificou uma diminuição significativa. De acordo com os outros institutos, a avaliação do governo tem permanecido estável desde o início do ano.
Olhando o conjunto das pesquisas disponíveis, o que se nota é que os resultados do Ibope relativos a março eram mais altos que a média. Nenhuma outra feita no período chegava a números como os seus, acima dos 55 pontos percentuais. Naquele mesmo mês, o Datafolha, por exemplo, apontava 47%.
Ou seja, a queda no Ibope decorre mais do ponto de partida que de chegada, pois os números de sua pesquisa de julho são idênticos ao dos outros institutos. Tanto ele, quanto o Datafolha, mostraram os mesmos 48% agora.
Não podemos, portanto, falar em tendência de queda na avaliação do governo, pelo menos por enquanto. A crer nas pesquisas, o que temos é uma aprovação elevada e estável.
Para discutir em que o governo Dilma se parece e se diferencia dos anteriores em suas relações com a opinião pública, podemos considerar pesquisas feitas em momentos semelhantes do passado. Fazendo isso, podemos também tirar algumas conclusões sobre o que torna popular (ou impopular) um governo.
Como os dados do Datafolha são os mais facilmente encontráveis pelos interessados, vamos nos basear neles. Estão disponíveis para Dilma e seus quatro antecessores mais próximos.
Aos três meses, em junho de 1990, Collor tinha 36% de avaliações positivas, e permaneceu igual aos seis, quando alcançou 34%. Sobre seu governo, só há outros dados para quando completou o primeiro ano, mas essa é outra história (nessa altura, só 23% o aprovavam).
Itamar, também três meses depois de ter tomado posse, em dezembro de 1992, tinha 34% e foi a 36% em fevereiro do ano seguinte, cinco meses mais tarde. Caiu, a partir de então, de maneira expressiva, alcançando apenas 24% sete meses depois, em março de 1993.
Em março de 1995, com três meses de governo, Fernando Henrique estava um pouco melhor que os dois, chegando a 39%. Em junho, foi a 40% e a 42% em setembro.
Lula começou acima disso e assim permaneceu. Em abril de 2003, alcançava 43%, 42% em junho e 45% em agosto. Para ele e FHC, faz pouco sentido discutir como estavam no começo de seus segundos mandatos.
De acordo com o Datafolha, Dilma sempre teve números melhores que todos: 47% em março, 49% em junho e 48% agora.
Comparando os cinco, o que mais chama atenção é a solidez da imagem dos presidentes ao longo dos primeiros meses. As oscilações são, salvo para Itamar (não custa lembrar, o único que não foi diretamente eleito), irrelevantes. Começando um pouco acima ou abaixo dos outros, todos, a rigor, não se moveram.
Tão interessante quanto isso é ver que essa solidez independe, ao que parece, da agenda e do desempenho de cada um.
Collor tinha acabado de decretar o confisco da poupança e tirado o dinheiro da circulação, traumatizando o país. Fernando Henrique pilotava o Plano Real, e celebrava que um quilo de frango custava menos que uma moedinha. Aos três meses, empatavam, um com 36% e o outro 39%.
Disso tudo, uma lição: o compromisso do eleitor com o eleito parece mais forte que qualquer outra coisa. É com base nele que começa um governo.

Marcos Coimbra é sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi
publicado originalmente noi blog do Noblat.