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domingo, 12 de junho de 2011

A opinião pública e a opinião que se publica

retirado do Blog tijolaco.com, de 11/06/11

Quarta-feira, "queda de Dilma nas pesquisas", dizia a Folha, teria levado à demissão de Antonio Palocci. Três dias depois, uma pesquisa da Folha desmente "pesquisas" da Folha. Isso é que é credibilidade...


A frase genial do Barão de Itararé, meu conterrâneo Apparicio Torelly, cai como uma luva para as análises políticas dos jornais brasileiros.
Dia 8, quarta feira, a Folha publicava que a “Perda de popularidade (do governo) definiu queda de Palocci”.
Hoje, dia 11, sai a chamada para a pesquisa Datafolha de amanhã: “Aprovação de Dilma resiste à inflação e crise, diz Datafolha“.
Dia 8, a Folha dizia:
“A presidente Dilma Rousseff decidiu demitir seu principal auxiliar, Antonio Palocci, após ser informada que pesquisas já apontavam desgaste do governo por conta da crise envolvendo aquele que foi um dos responsáveis pela arrecadação para sua campanha”
Dia 11, ela diz:
“A crise que levou à demissão do ex-ministro Antonio Palocci (Casa Civil) e a alta da inflação não tiveram impacto negativo na aprovação do governo Dilma Rousseff.”
Ou seja, o que o jornal escreve não tem o menor valor? Era “chute”?
Não tenho os dados completos da pesquisa, porque ainda não achei a Folha de domingo, mas o nível de ótimo/bom passa de 47 para 49%. Nos dados que o jornal adianta fica o registro de que a maioria dos brasileiros (óbvio, apesar dos narizes torcidos da elite arrogante) quer que Lula participe da administração.
E, quanto à piora das expectativas, pretender o que, com a mídia martelando que a “a inflação disparou”  e as usinas fazendo a festa nos preços do etanol, mesmo que a inflação, em termos gerais, se mantenha num patamar semelhante ao de 2010, como já se demonstrou diversas vezes aqui?
O fato  de Dilma ter resistido sem danos à ofensiva da mídia, como registra a pesquisa, porém, não nos deve fazer esmorecer. Vocês lembram daquela história de uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade? De quem era, mesmo?

domingo, 17 de abril de 2011

FHC vê Lula como o fantasma de Vargas

por Brizola Neto (publicado no Blog Tijolaco.com, de 17/04/11)




A semana foi dominada pela repercussão do artigo em que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso expressou o desejo de que seu PSDB “esqueça o povão”.
Embora chocante, pela explicitude, a declaração do “príncipe” não deixa de guardar coerência com o que, há muito tempo, pensa o ex-presidente.
Em seu discurso de despedida do Senado, ao preparar-se para assumir seu primeiro mandato, ele foi bem claro sobre o que pensava sobre os rumos do Brasil.
(…)um pedaço do nosso passado político que ainda atravanca o presente e retarda o avanço da sociedade. Refiro-me ao legado da Era Vargas — ao seu modelo de desenvolvimento autárquico e ao seu Estado intervencionista.
Ele é, embora sob um verniz intelectual pedante, um dos “adoradores do mercado” a quem o presidente Lula ao lançar as regras nacionalistas de exploração do pré-sal, chamando-os de “exterminadores do futuro” do país.
A visão de Fernando Henrique é pouco distante da idéia do Brasil como colônia, um país aberto, em suas riquezas naturais e humanas, a uma ordem econômica na qual as relações econômicas internacionais não passem pelas comportas de um Estado soberano,  que reduza a drenagem realizada pelo capital internacional, pelas economias centrais.
Nessa visão, o povo trabalhador – e seus direitos – não é o senhor e destinatário dos frutos da riqueza do país e do trabalho que executa, mas  é parte do maldito “custo Brasil”.
O povo, numa palavra, é um problema.
Porque, para Fernando Henrique, a conquista e a cooptação das classes médias – e sua capacidade de formar “o pensamento do homem comum” que cabe à mídia impor como convicção inquestionável.
Daí ele preocupar-se em, também no mundo digital, estabelecer a hegemonia conservadora que controla a mídia convencional. Atucanar a internet, para que ela não se contraponha ao pensamento único que o controle da comunicação pelo poder econômico, eis o conselho de Fernando Henrique, em resumo.
No mais, é a culpa do traidor que se expressa em tudo o que ele diz. Lula, pra ele, é o fantasma de Vargas que o assombra e apavora. Tanto que repete a mesma cantilena de  que, como atribui a Getúlio- também Lula “cooptou com benesses e recursos as principais centrais sindicais e os movimentos organizados da sociedade civil e dispõe de mecanismos de concessão de benesses às massas carentes”.
O artigo de FHC, para quem teve paciência e estômago para lê-lo, parece mesmo uma catarse psicanalítica. Até mesmo o fato de terem os tucanos se tornado a UDN do século 21 está fantasticamente explicitado quando ele diz que seria um  “erro fatal imaginar, por exemplo, que o discurso “moralista” é coisa de elite à moda da antiga UDN. A corrupção continua a ter o repúdio não só das classes médias como de boa parte da população”.
Ora, repudiar a corrupção é o óbvio e o natural, transformar este  repúdio no centro dos problemas nacionais, é sim o falso moralismo que encobre a imoralidade maior que é roubar do Brasil e do povo brasileiro seus direitos, suas riquezas e seu destino.
E é exatamente isso que o vendedor da Vale sugere, ao propor que “é preciso persistir, repetir a crítica, ao estilo do “beba Coca Cola” dos publicitários”.
Fernando Henrique Cardoso tornou-se o Lacerda de beca e capelo.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Viva, não tiraram o pouco que os professores têm!

publicado originalmente no blog tijolaco.com, de 06/04/11


O Supremo Tribunal Federal acaba de derrubar o pedido de inconstitucionalidade movido pelos estados do do Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Ceará contra o piso nacional do Magistério, uma lei de autoria do senador Cristóvam Buarque sancionada pelo Presidente Lula.
Fica valendo, para todo o país, um piso que, em fevereiro, passou de R$ 1.024,67 para R$ 1.187,08.
Estado algum pode deixar de pagar, pelo menos, “esta fortuna” aos seus mestres.
Ficou ainda por ser julgada a obrigatoriedade de um terço da jornada de 40 horas do professor ser dedicada a atividades extra-classe e ao aperfeiçoamento.